MEDITAÇÕES-XXXI-PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
SÉTIMO CAPÍTULO – O MEDO (CONT. págs. 50-52)
Um relato é sempre enganoso. E a análise das causas dessa atitude nos guia na direção dos deuses. Não há nada que provoque mais medo do que uma narração. Não se requer que as coisas descritas estejam presentes. É melhor que estejam ausentes. Basta que as percepções estejam embaralhadas para que se acredite ver ou se tema ver, como aconteceu na Vigília da Roça, quando o candeeiro mal iluminava os presentes e o local. Via-se bem apenas o narrador e todos assimilavam facilmente os afetos que ele expressava. Por isso acreditava-se em qualquer coisa que se dizia. A vigília do Médico da Roça (Médicin de Cammppagne) descreve muito bem esse teatro e é mais comovente que os monstros dos teatros. Mas, além do conto heróico, que rodeias as histórias corriqueiras, pode-se aprender mais sobre o poder da narração, lendo A CORCUNDA CORAJOSA (La bossue courageuse), do mesmo episódio. A descrição, partindo do verossímil e ultrapassando o medo pela coragem, chega aos limites do pavor, na calma reencontrada após um perigo real. A cabeça e os membros do homem assassinado despencam sobre a panela,através da chaminé. Seria útil contrastar essa história com a dos grous de Ibycos (Les Grues d´Ibycos) onde, por outro lado, o desenrolar dos acontecimentos é natural e como tal se apresenta. O deus que pune está presente no culpado. Seria bom procurar esses respeitáveis testemunhos ou provas, sabendo claramente que se encontrará o nexo com os deuses, por sequência. Fique claro que religião não se esquarteja e que por isso deuses e diabos estão todos juntos, como barriga, peito e cabeça não se separam, se assim se pode dizer. Entenderam?
2. Voltemos à solidão da floresta onde o medo é experimentado sem os recursos da arte. Nas costas o homem não tem olhos para ver e nem armas para se defender. E, pela frente, em plena luz, vê apenas um lado da árvore. Se houver alguma fera, ela aparece num instante. E, algumas vezes, um animal ou lobo não passam de galhos de árvores balançando suas folhas. Essa comparação pode ajudar? Dizer que a aparição de um monstro a excitar as entranhas do solitário caminhante não passa de um balançar de galhos é uma prova ambígua, pois o GENIO MALÍGNO (Malin Genie) de Descartes, a pervagar todos os nossos pensamentos, pode comprazer-se em nos desenganar. O importante é o estado da questão. Ele se situa no debate entre o espírito e um mundo sempre insuficiente (insuffisant). (Botando a culpa no mundo?!?!). A experiência infantil é ingenuamente procurada e jamais demonstra alguma coisa. A discussão humana é a seguinte: Nós procuramos a verdade e depois de uma decantação de pensamentos, podemos encontrá-la em nós mesmos. Esse é o significado do exorcismo. Mas é preciso que antes o homem acredite no seu próprio espírito. O exorcismo nos acalma e nos remete a poderes invisíveis, escondidos atrás das árvores. E em Fedro, em outro tipo de exorcismo, quase aparecem deuses terrenos, centauros e egivans, desfilando por obra de um teatro, um tanto ou quanto voluntário. Os contos infantis são também um teatrinho que revestem decorosamente o medo. A infância se imerge em normas, varetas, lâmpadas, tapetes mágicos e Sésamo que montam um mundo coerente no recinto doméstico onde a criança introjeta a primeira ideia de uma lei. A natureza, pelos limites de possibilidade de exploração, atemoriza mais que os contos infantis. Varinhas de condão não são espingardas de verdade, mas são as defesas e garantias das crianças. E em uma arma de verdade, como a flecha, o bom uso depende da pontaria. E se o braço tremer? E quando acerta, o quê causou a precisão? E ai entra a ideia de que acertar o alvo, o inimigo, não é obra só da flecha e do arco, mas são também de sortilégio, feitiço ou bruxaria. Gostaria de pensar que o mais temível atirador de elite seja ao mesmo tempo o menos supersticioso dos mortais. Mas dá-se o contrário. Se errasse sempre, seria menos supersticioso.
3- PS:-O capítulo VIII se intitula LES JEUX. Qual seria a melhor tradução? Jogos, teatro, brincadeiras, ou...
- Tragam cópia do texto. Obrigado. Viegas
segunda-feira, 9 de maio de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
M E D O
" Há quem continue procurando um Deus porque ainda não apagamos completamente o medo, nem eliminamos a morte". Saramago, EL AMOR POSSIBLE, Edit. Planeta, 1998
Postado por Viegas
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terça-feira, 3 de maio de 2011
MEDITAÇÕES OUTRAS
MEDITAÇÕES OUTRAS (B)
PRIMEIRO LIVRO – ALADIN PARA O CAPÍTULO SÉTIMO (CONT.)
1.Saramago (1922-2010): “Tentei não fazer nada na minha vida que envergonhasse a criança que foi”.
2.Algumas citações de Fedro (Platão)
•“Estou convencido de que os amantes carecem mais de piedade do que de inveja” (Lísias, o crítico)
•“Uma das coisas que escapa à maioria dos homens é a coisa na sua essência e como julgam conhecê-la”.
•(Encapuzado – Primeira fala)- Sócrates: “Mas agora me dei conta claramente de meu pecado.” ( De quem é o discurso lido? O demônio em Sócrates é uma tolice?) Risibilidade total. Os ingênuos são iludidos.)
•O tema é o amor. Passa-se ao segundo discurso.
•A loucura não é um mal e nem doença (Sócrates)
•“... mas acontece que muitos dos nossos bens nascem da loucura inspirada pelos deuses,,,” (Segundo discurso)
•Maniké (loucura) e mantiké (vidente). E la nave vá... E o final:
•Oração de Sócrates: Oh Divino Pã e musas... Ajudai-me a buscar a beleza interior e fazei com que as coisas exteriores se harmonizem com a beleza espiritual! Fazei com que o sábio me pareça sempre rico e que eu tenha tanta riqueza quanto um homem sensato for capaz de suportar e governar!”.
•Sócrates novamente: “Por mim, Fedro, acho que pedi tudo o que desejo”.
•Fedro: “Pois suplica para mim a mesma coisa, já que os amigos tudo devem possuir em comum!”
•Sócrates: “Então, vamos!”
3-(NB. Amigos; companheiro em latim: o que reparte o pão- Cum pane )- Grego : Pan Panós ..... (Trigo, pão e Deus em Guerra Junqueiro. Ver Blog ESTUDANTINA).
PRIMEIRO LIVRO – ALADIN PARA O CAPÍTULO SÉTIMO (CONT.)
1.Saramago (1922-2010): “Tentei não fazer nada na minha vida que envergonhasse a criança que foi”.
2.Algumas citações de Fedro (Platão)
•“Estou convencido de que os amantes carecem mais de piedade do que de inveja” (Lísias, o crítico)
•“Uma das coisas que escapa à maioria dos homens é a coisa na sua essência e como julgam conhecê-la”.
•(Encapuzado – Primeira fala)- Sócrates: “Mas agora me dei conta claramente de meu pecado.” ( De quem é o discurso lido? O demônio em Sócrates é uma tolice?) Risibilidade total. Os ingênuos são iludidos.)
•O tema é o amor. Passa-se ao segundo discurso.
•A loucura não é um mal e nem doença (Sócrates)
•“... mas acontece que muitos dos nossos bens nascem da loucura inspirada pelos deuses,,,” (Segundo discurso)
•Maniké (loucura) e mantiké (vidente). E la nave vá... E o final:
•Oração de Sócrates: Oh Divino Pã e musas... Ajudai-me a buscar a beleza interior e fazei com que as coisas exteriores se harmonizem com a beleza espiritual! Fazei com que o sábio me pareça sempre rico e que eu tenha tanta riqueza quanto um homem sensato for capaz de suportar e governar!”.
•Sócrates novamente: “Por mim, Fedro, acho que pedi tudo o que desejo”.
•Fedro: “Pois suplica para mim a mesma coisa, já que os amigos tudo devem possuir em comum!”
•Sócrates: “Então, vamos!”
3-(NB. Amigos; companheiro em latim: o que reparte o pão- Cum pane )- Grego : Pan Panós ..... (Trigo, pão e Deus em Guerra Junqueiro. Ver Blog ESTUDANTINA).
ORAÇÃO AO PÃO
Poema de Abílio Manuel GUERRA JUNQUEIRO(1850-1923)
Num grão de trigo habita
alma infinita.
Alma latente, incerta,obscura,
mas que geme, que ri, que sonha, que murmura.
Quando seara é ceifada, acaso o grão
terá dor? Por quê não?!
Um grão de trigo,
mil anos morto num jazigo,
dêem-lhe terra e luz,
e ei-lo germina, cresce e floresce e produz"
Postado por Viegas, para aquecer o BLOG
Num grão de trigo habita
alma infinita.
Alma latente, incerta,obscura,
mas que geme, que ri, que sonha, que murmura.
Quando seara é ceifada, acaso o grão
terá dor? Por quê não?!
Um grão de trigo,
mil anos morto num jazigo,
dêem-lhe terra e luz,
e ei-lo germina, cresce e floresce e produz"
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sábado, 16 de abril de 2011
AÇÕES XXX-MEDO
MEDITAÇÕES-XXX-PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
SÉTIMO CAPÍTULO – O MEDO (CONT. págs. 49-50)
1- Outros preliminares curiosos. Aquecimento. – Na tradição bíblica já se dizia que a PALAVRA tem um poder de vida e de morte. Há idiomas ricos e pobres em palavras. Alguns dispõem apenas de termos opostos (AMOR x ÓDIO) sem nuances intermediárias. Em português, veja quantas aproximações, sem identificação total, se pode fazer do verbete GÊNIO: mago, mágico, espertalhão, finório, artista, ilusionista, talentoso, ardiloso, sagaz, astuto, ladino, capcioso, prestidigitador e outros. Por outro lado, algumas palavras desafiam uma conotação exata e peculiar no uso quotidiano. São permutadas com facilidade. Estamos lutando dom os termos AFETO, EMOÇAO E SENTIMENTO... Outras curiosidades relativas ao nosso capítulo: David significa querido; melequé, Rei; Kinorr (dedilhar digitar, dedo, dígito) a Harpa ou Lira pode conseguir algum efeito terapêutico. Davi d já praticava a musicoterapia.
2- Observei uma c onversa de criança amedrontada. Viam-se os efeitos, mas não as causas. A menina me confessou que tinha medo do movimento das sombras de árvores projetado pela iluminação de rua. Estava ciente de que se tratava de sombra, porém tinha medo. E com ele se encontrava a cada entardecer. Foi necessário trocá-la de quarto. Não se pode afirmar precipitadamente que a criança imagina alguma forma humana escondida em cada coisa. (NB. Digressão sob re animismo). Talvez não veja nada. As narrações de gênios e pessoas habilidosas (lutins) são o início de um remédio contra o medo sem objeto ameaçador. A arte de David começou dessa maneira.
3- Não é fácil temer (respeitar) por motivos racionais. Ainda que seja estranho, se não se começa pelo medo, forma-se apenas uma ideia de temor (respeito), quase sem objeto (matéria). O ódio começa pela tristeza e para amar é preciso estar feliz. Essa é a ordem dos afetos , de baixo para cima, sem descida. Como não se chega a amar conforme o desejado, também não se tem medo somente por obrigação. É até possível que o que o verdadeiro medo seja distinto das razões que se lhe atribuem. Talvez seja por isso que somente quando o medo é superado é que ele pode ser incorporado ao temor (reverencial),ao respeito ou até à admiração. No estado de paixão, decorrente do temor (reverencial) manifesta-se a coragem. O conceito de paixão, aqui mencionado, é muito importante para o nosso tema. ( NB. Origens do fanatismo) Uma menina ao folhear um álbum de caçadas viu a figura de um lobo, sem sentir medo algum. Mas, depois de virar a página, ausente a figura do lobo, o medo o transformou num monstro indescritível e que afinal não era nada. Soube que um naturalista, no SIAM, viu um gato enorme pulando. Era um tigre. E o naturalista teve medo só depois de refletir, ou seja, depois da descrição que fez da aventura, para si ou para outros. É o que acontece com freqüência nos perigos, sobretudo quando a troca de sinais não provoca o medo epidêmico (?). E por outro lado um canto religioso pode espantar o medo, no mais terrível perigo, como se diz que aconteceu no TITANIC. Não sei até onde pode ir o poder heróico, mas sempre o medo é mais importante para o homem do que o perigo. Pode-se cantar marchando para a guerra ou para o martírio. O que acontece na própria dor não muda o acontecimento, pois as marcas da dor desaparecem rapidamente. De acordo com minhas conjecturas, o momento das catástrofes que nos aniquilam não é objeto nem de temor, nem de medo, nem mesmo de lembrança, se não permanecem as provas.
4. Continuaremos com medo ou temor na próxima Terça. Viegas
SÉTIMO CAPÍTULO – O MEDO (CONT. págs. 49-50)
1- Outros preliminares curiosos. Aquecimento. – Na tradição bíblica já se dizia que a PALAVRA tem um poder de vida e de morte. Há idiomas ricos e pobres em palavras. Alguns dispõem apenas de termos opostos (AMOR x ÓDIO) sem nuances intermediárias. Em português, veja quantas aproximações, sem identificação total, se pode fazer do verbete GÊNIO: mago, mágico, espertalhão, finório, artista, ilusionista, talentoso, ardiloso, sagaz, astuto, ladino, capcioso, prestidigitador e outros. Por outro lado, algumas palavras desafiam uma conotação exata e peculiar no uso quotidiano. São permutadas com facilidade. Estamos lutando dom os termos AFETO, EMOÇAO E SENTIMENTO... Outras curiosidades relativas ao nosso capítulo: David significa querido; melequé, Rei; Kinorr (dedilhar digitar, dedo, dígito) a Harpa ou Lira pode conseguir algum efeito terapêutico. Davi d já praticava a musicoterapia.
2- Observei uma c onversa de criança amedrontada. Viam-se os efeitos, mas não as causas. A menina me confessou que tinha medo do movimento das sombras de árvores projetado pela iluminação de rua. Estava ciente de que se tratava de sombra, porém tinha medo. E com ele se encontrava a cada entardecer. Foi necessário trocá-la de quarto. Não se pode afirmar precipitadamente que a criança imagina alguma forma humana escondida em cada coisa. (NB. Digressão sob re animismo). Talvez não veja nada. As narrações de gênios e pessoas habilidosas (lutins) são o início de um remédio contra o medo sem objeto ameaçador. A arte de David começou dessa maneira.
3- Não é fácil temer (respeitar) por motivos racionais. Ainda que seja estranho, se não se começa pelo medo, forma-se apenas uma ideia de temor (respeito), quase sem objeto (matéria). O ódio começa pela tristeza e para amar é preciso estar feliz. Essa é a ordem dos afetos , de baixo para cima, sem descida. Como não se chega a amar conforme o desejado, também não se tem medo somente por obrigação. É até possível que o que o verdadeiro medo seja distinto das razões que se lhe atribuem. Talvez seja por isso que somente quando o medo é superado é que ele pode ser incorporado ao temor (reverencial),ao respeito ou até à admiração. No estado de paixão, decorrente do temor (reverencial) manifesta-se a coragem. O conceito de paixão, aqui mencionado, é muito importante para o nosso tema. ( NB. Origens do fanatismo) Uma menina ao folhear um álbum de caçadas viu a figura de um lobo, sem sentir medo algum. Mas, depois de virar a página, ausente a figura do lobo, o medo o transformou num monstro indescritível e que afinal não era nada. Soube que um naturalista, no SIAM, viu um gato enorme pulando. Era um tigre. E o naturalista teve medo só depois de refletir, ou seja, depois da descrição que fez da aventura, para si ou para outros. É o que acontece com freqüência nos perigos, sobretudo quando a troca de sinais não provoca o medo epidêmico (?). E por outro lado um canto religioso pode espantar o medo, no mais terrível perigo, como se diz que aconteceu no TITANIC. Não sei até onde pode ir o poder heróico, mas sempre o medo é mais importante para o homem do que o perigo. Pode-se cantar marchando para a guerra ou para o martírio. O que acontece na própria dor não muda o acontecimento, pois as marcas da dor desaparecem rapidamente. De acordo com minhas conjecturas, o momento das catástrofes que nos aniquilam não é objeto nem de temor, nem de medo, nem mesmo de lembrança, se não permanecem as provas.
4. Continuaremos com medo ou temor na próxima Terça. Viegas
sexta-feira, 15 de abril de 2011
MEDITAÇÕES S/N (A)
MEDITAÇÕES -S/N –(A)
Para o capítulo sétimo (O MEDO)- Informações.
1-SIAM, a região citada no capítulo, é hoje a famosa TAILÂNDIA.
2-TITANIC – Na noite do dia 14/07/1912 (há 99 anos) o então maior navio do mundo afundou-se em sua primeira viagem. Havia 3 547 pessoas a bordo. Morreram 1 523.
Na ocasião a orquestra do navio teria executado, entre outras, as seguintes músicas:
My heart will go on; Another Day; If walls could talk; In every age; Sorry for love.
Nessa data Alain (1 868-1 1951) estava com 44 anos de idade.
3-IBYCOS foi um poeta lírico do século VI a.C. Poucos escritos restaram de sua obra, entre os quais, Alain cita o caso dos grous voando,quando foi assaltado por bandidos.
4-HONORÉ DE BALZAC (1 799- 1 850) escreveu muitos livros. Alain cita LE MÉDICIN DE CAMPAGNE, onde se narra a história da CORCUNDA CORAJOSA. “Ela tinha medo, e quando alguém tem medo , não se importa com nenhuma outra coisa.”
5- Outros nomes lembrados:
- FEDRO, livro de Platão (428-347 a.C)
E os seguintes autores de fábulas:
- ESOPO (Século IV a.C.); -FEDRO (15 a.C.-50 d.C.) e LA FONTAINE – (1 621–1 695).
-
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Para o capítulo sétimo (O MEDO)- Informações.
1-SIAM, a região citada no capítulo, é hoje a famosa TAILÂNDIA.
2-TITANIC – Na noite do dia 14/07/1912 (há 99 anos) o então maior navio do mundo afundou-se em sua primeira viagem. Havia 3 547 pessoas a bordo. Morreram 1 523.
Na ocasião a orquestra do navio teria executado, entre outras, as seguintes músicas:
My heart will go on; Another Day; If walls could talk; In every age; Sorry for love.
Nessa data Alain (1 868-1 1951) estava com 44 anos de idade.
3-IBYCOS foi um poeta lírico do século VI a.C. Poucos escritos restaram de sua obra, entre os quais, Alain cita o caso dos grous voando,quando foi assaltado por bandidos.
4-HONORÉ DE BALZAC (1 799- 1 850) escreveu muitos livros. Alain cita LE MÉDICIN DE CAMPAGNE, onde se narra a história da CORCUNDA CORAJOSA. “Ela tinha medo, e quando alguém tem medo , não se importa com nenhuma outra coisa.”
5- Outros nomes lembrados:
- FEDRO, livro de Platão (428-347 a.C)
E os seguintes autores de fábulas:
- ESOPO (Século IV a.C.); -FEDRO (15 a.C.-50 d.C.) e LA FONTAINE – (1 621–1 695).
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domingo, 10 de abril de 2011
MEDITAÇÕES XXIX - MEDO
MEDITAÇÕES-XXIX-PRIMEIRO LIVRO-ALADIM
SÉTIMO CAPÍTULO – O MEDO (págs: 48-49)
1- A situação mágica deixa consequências. Na infância, as palavras comandam o aparecimento dos objetos e dos servidores. E também na vida dos adultos elas operam milagres. Por causa de termos surgem guerras. A imaginação triunfa e acaba em oposições, passando da realidade da miséria à riqueza dos tronos imperiais. Sabe-se, todavia, que os deuses, por mais terrificantes que o sejam não aparecem nunca. É o invisível que nos conduz. A espécie de inquietação que se experimenta no meio de uma floresta se alimenta de silêncio e aumenta com uma paz que não acalma. Se for possível, é necessário descobrir a verdade da imaginação que, por sua vez, é nada. Atrás da visão (vision n.b.), situa-se esse enigma que é só visão. Miragens sobre miragens. Quando sinto um suposto assaltante atrás da porta, eu ouço o seu respirar pelo buraco da fechadura. Mas esse respiro é o meu. Contudo, o ladrão que não escuto é o mais perigoso. Já se dizia que o desconhecido amedronta.
2- A emoção está presente. Afirma-se um pouco levianamente que o apalpar não engana. Talvez isso se possa dizer do tato voluntário. O toque da emoção é um falso testemunho. O que é a emoção? Em resumo é uma preparação do corpo humano, portanto um modo de agir que se inicia na expectativa de alguma coisa. Parece com ensaio. São movimentos que seriam feitos se o objeto esperado estivesse presente. (N.B. O pedestre que fala e gesticula sozinho). Mas o que caracteriza a emoção é o próprio despertar ou uma espécie de alarme de todas as nossas funções, talvez recordando um abalo precedente, já experimentado ou apenas imaginado. E esse tremor ou susto deriva frequentemente de uma pequena queda. Pode ter sido apenas um dedo dormente ao se acordar de um sono em posição de mau jeito. O abalo inicial, de origens diversas, irradia-se pelos tecidos nervosos do corpo todo, provocando uma alerta geral, sem nem mesmo saber para quê. Sentinelas de prontidão. O aumento dessa perturbação, da qual nem sempre se sabe o motivo, configura o próprio medo. O provérbio ensina que a alegria provoca medo. De fato, todo movimento de origem involuntária, provoca medo. E como se tem medo do medo, pode-se afirmar que a emoção pura é medo. (NB. Emê). E o que fala a neurologia contemporânea?
3- Mais tarde na vida, essa ingenuidade pode transformar-se em habilidade. A força máscula pode fazer o medo virar cólera. Mas sem dúvida a criança tem medo do medo. Ela percebe que ocorre em determinados momentos e lugares. E ai o objeto que amedronta não tem função quase nenhuma. Sem percepção de objeto terrificante, o medo caminha sozinho com seu medo. Isso acontece com crianças e adultos! É por isso que se pode dizer que há medo dos deuses. Eles são invisíveis. Isso faz recordar a vertigem e, em oposição, as melhores cenas dramáticas. É possível garantir (assurer) a inocência da infância? Alain acha que isso é nosso dever.
4-Favor trazer cópias do texto. Vamos continuar com medo. Viegas
SÉTIMO CAPÍTULO – O MEDO (págs: 48-49)
1- A situação mágica deixa consequências. Na infância, as palavras comandam o aparecimento dos objetos e dos servidores. E também na vida dos adultos elas operam milagres. Por causa de termos surgem guerras. A imaginação triunfa e acaba em oposições, passando da realidade da miséria à riqueza dos tronos imperiais. Sabe-se, todavia, que os deuses, por mais terrificantes que o sejam não aparecem nunca. É o invisível que nos conduz. A espécie de inquietação que se experimenta no meio de uma floresta se alimenta de silêncio e aumenta com uma paz que não acalma. Se for possível, é necessário descobrir a verdade da imaginação que, por sua vez, é nada. Atrás da visão (vision n.b.), situa-se esse enigma que é só visão. Miragens sobre miragens. Quando sinto um suposto assaltante atrás da porta, eu ouço o seu respirar pelo buraco da fechadura. Mas esse respiro é o meu. Contudo, o ladrão que não escuto é o mais perigoso. Já se dizia que o desconhecido amedronta.
2- A emoção está presente. Afirma-se um pouco levianamente que o apalpar não engana. Talvez isso se possa dizer do tato voluntário. O toque da emoção é um falso testemunho. O que é a emoção? Em resumo é uma preparação do corpo humano, portanto um modo de agir que se inicia na expectativa de alguma coisa. Parece com ensaio. São movimentos que seriam feitos se o objeto esperado estivesse presente. (N.B. O pedestre que fala e gesticula sozinho). Mas o que caracteriza a emoção é o próprio despertar ou uma espécie de alarme de todas as nossas funções, talvez recordando um abalo precedente, já experimentado ou apenas imaginado. E esse tremor ou susto deriva frequentemente de uma pequena queda. Pode ter sido apenas um dedo dormente ao se acordar de um sono em posição de mau jeito. O abalo inicial, de origens diversas, irradia-se pelos tecidos nervosos do corpo todo, provocando uma alerta geral, sem nem mesmo saber para quê. Sentinelas de prontidão. O aumento dessa perturbação, da qual nem sempre se sabe o motivo, configura o próprio medo. O provérbio ensina que a alegria provoca medo. De fato, todo movimento de origem involuntária, provoca medo. E como se tem medo do medo, pode-se afirmar que a emoção pura é medo. (NB. Emê). E o que fala a neurologia contemporânea?
3- Mais tarde na vida, essa ingenuidade pode transformar-se em habilidade. A força máscula pode fazer o medo virar cólera. Mas sem dúvida a criança tem medo do medo. Ela percebe que ocorre em determinados momentos e lugares. E ai o objeto que amedronta não tem função quase nenhuma. Sem percepção de objeto terrificante, o medo caminha sozinho com seu medo. Isso acontece com crianças e adultos! É por isso que se pode dizer que há medo dos deuses. Eles são invisíveis. Isso faz recordar a vertigem e, em oposição, as melhores cenas dramáticas. É possível garantir (assurer) a inocência da infância? Alain acha que isso é nosso dever.
4-Favor trazer cópias do texto. Vamos continuar com medo. Viegas
quinta-feira, 31 de março de 2011
OLHE LÁ !
"A TERRA É UM TEMPLO,
O LAVRADOR É O SEMEADOR,
A LAVOURA É ALTAR
E O GRÃO É OFERTA."
Cora Coralina
(NB. O lavrador poderia tb. ser o sacerdote! Só na poesia...)
Postante: Viegas
O LAVRADOR É O SEMEADOR,
A LAVOURA É ALTAR
E O GRÃO É OFERTA."
Cora Coralina
(NB. O lavrador poderia tb. ser o sacerdote! Só na poesia...)
Postante: Viegas
segunda-feira, 28 de março de 2011
Há uma criança...
ARNALDO RABELO escreveu:
" Há uma criança morando em mim que
nunca cresce.
Ela acredita num mundo cor de rosa onde o amor
ainda prevalesce...
Sente flores no outono,
colhe sol no inverno"
Postado po Viegas
" Há uma criança morando em mim que
nunca cresce.
Ela acredita num mundo cor de rosa onde o amor
ainda prevalesce...
Sente flores no outono,
colhe sol no inverno"
Postado po Viegas
domingo, 27 de março de 2011
MEDITAÇÕES XXVIII
MEDITAÇÕES-XXVIII-PRIMEIRO LIVRO-ALADIM
SEXTO CAPÍTULO - BURGUESIA (págs. 46-48)
1- INFORMAÇÕES ÚTEIS.
– François-Marie Arouet VOLTAIRE (1694-1778). Relacionou-se com Berkeley, Leibniz e outros pensadores. Escreveu vários romances bem humorados nos quais, segundo Will Durant (1855-1981), “... os heróis são idéias; os vilões, supersticiosos; e os acontecimentos, pensamentos”. Um dos romances é CANDIDE, um rapaz otimista, filho de barão, um pouco ingênuo. Seu preceptor era o Dr. PANGLOSS que, segundo alguns, seria uma caricatura de Leibniz (1646-1716), cujo otimismo e utopia de conciliação universal são ridicularizados. Na época da publicação a autoria era atribuída a Dr. Ralph. Dizem que Voltaire sempre negou a paternidade da comédia.
-PANGLOSS. A palavra inventada pode ser assim decomposta: PAN, PANG, GLOSS e LOSS. (NB. Voltaire morou algum tempo na Inglaterra). Pérolas de PANGLOOS que negava o conceito de causalidade: As pedras foram criadas para edificar castelos; o nariz foi criado para sustentar os óculos; as pernas foram criadas para segurar as calças. No final do romance, depois de um longo discurso sobre história pronunciado por Pangloss,, fecha-se o livro com a célebre frase de CÂNDIDO... “mas agora vamos cuidar da horta”. Se não há couve-flor, repolho e alface, como fazer uma salada?
- JEAN LÉON JAURÈS (1859-1914). Político socialista, pacifista, e conciliador. Morreu assassinado em Paris por um adepto da guerra contra a Alemanha
. – EMMANUEL KANT (1724-1804).
– GOTTFRIED(?)LEIBNIZ (1646-1716).
2- Uma organização de trabalhos é sempre envolvida por contratos, que comportam uma negociação de cláusulas. O burguês, hoje empregador, ocupa o lado mais importante, ficando o proletário, hoje o empregado, em segundo lugar. Antes se falava mais em burguês versus proletário. Em caso de demanda, se diz hoje, reclamação trabalhista, restringem-se a imaginação e o encanto, quando o juiz além da letra do contato analisa as condições de execução do trabalho. Contudo, muitas vezes prevalece o discurso da conciliação, fundamentado em herança infantil que privilegia a dialética dos conceitos, característica da burguesia. Esse procedimento de acordos ou conciliação tem algum parentesco com o idealismo. É a fuga da realidade, condições reais de trabalho, refugiando-se no discurso. E o perigo desse discurso é a contradição. A conciliação encobre essa manobra. As utopias, como se nota no pensamento do professor (?) Jaurès, líder socialista, consistem justamente na tentativa de acomodar frases. É verdade ou não que um acordo social, por contrato explícito inteiro.o, seja contrário ao desenvolvimento dos indivíduos segundo suas possibilidades? E o filósofo (?) Jaurès, na ironia de Alain, diz que não se é forçado a negar um lado da questão quando se afirma o outro.e que ele prova essa façanha afirmando ou aceitando os dois lados. É lamentável esquecer o curso dos acontecimentos para salvar um palavreado. O pão desses senhores é a gramática... E Alain acaba colocando no mesmo balaio o socialista-filósofo Jaurès, as divagações do Dr. Pangloss e o ilustre Leibniz, este o mais habilidoso dos conciliadores. A criança pára de gritar quando ouve uma canção e melhor ainda quando lhe dão um banho. Supõe-se por isso que a conexão aparente do palavreado, por afirmações, negações e distinções encobrem um encadeamento que enforca, aperta os pulmões e oprime o corpo inteiro. É como se a verdadeira causa da mamadeira fossem gritos e choros. A puerilidade é sempre mais eficiente e não deixa de ser utilizada, mesmo por gente importante. Kant(1724-18040) afirmou que um acordo de palavras, por mais perfeito que o seja, não atinge de modo algum, uma arrumação de coisas ou objetos. Uma reunião, recheada das melhores palavras, não muda a vida concreta de ninguém.
3- O povo, de modo geral (NB. Tenho muito medo de falar em nome do povo...), percebe a vacuidade dos discursos? Considera o palavrório de patrões, autoridades e políticos, como tagarelice de marmanjos, alimentados pelo trabalho dos operários? Ou será que o povo acha que esse jogo é remontagem de fatos que ultrapassam humores e não vai à sua fonte que são casa, comida, luz e outros benefícios? É necessário que as palavras produzam coisas e assim seria a ontologia( NB. Ciência do ser ou ente ). Daí é que alguns pensadores teimosos criaram a ideia de uma dialética, que denominam com propriedade de materialista,segundo a qual os sistemas teológicos revelam um modo de viver e trabalhar. Alega-se que há um deus para cada profissão. Só que a ligação do trabalho com a crença é mais forte do que pensam os crentes. E porque o filósofo fala ingenuamente com palavras, ele vive de palavras, requer-se uma filosofia dos filósofos. Sempre se percebe que o inferior carrega o superior. Por isso, a verdade é que o materialismo sustenta o espírito. Saco vazio não pára em pé. Miolo mole não raciocina. A doutrina das religiões se evidencia na vida campestre. O deus TERMO ( palavra ou vocábulo) reina nos centros urbanos e seu rosto, sem rosto, aparece em recantos agrestes.
4- Próximo tema: O MEDO – Sétimo capítulo, dia 29./03/
SEXTO CAPÍTULO - BURGUESIA (págs. 46-48)
1- INFORMAÇÕES ÚTEIS.
– François-Marie Arouet VOLTAIRE (1694-1778). Relacionou-se com Berkeley, Leibniz e outros pensadores. Escreveu vários romances bem humorados nos quais, segundo Will Durant (1855-1981), “... os heróis são idéias; os vilões, supersticiosos; e os acontecimentos, pensamentos”. Um dos romances é CANDIDE, um rapaz otimista, filho de barão, um pouco ingênuo. Seu preceptor era o Dr. PANGLOSS que, segundo alguns, seria uma caricatura de Leibniz (1646-1716), cujo otimismo e utopia de conciliação universal são ridicularizados. Na época da publicação a autoria era atribuída a Dr. Ralph. Dizem que Voltaire sempre negou a paternidade da comédia.
-PANGLOSS. A palavra inventada pode ser assim decomposta: PAN, PANG, GLOSS e LOSS. (NB. Voltaire morou algum tempo na Inglaterra). Pérolas de PANGLOOS que negava o conceito de causalidade: As pedras foram criadas para edificar castelos; o nariz foi criado para sustentar os óculos; as pernas foram criadas para segurar as calças. No final do romance, depois de um longo discurso sobre história pronunciado por Pangloss,, fecha-se o livro com a célebre frase de CÂNDIDO... “mas agora vamos cuidar da horta”. Se não há couve-flor, repolho e alface, como fazer uma salada?
- JEAN LÉON JAURÈS (1859-1914). Político socialista, pacifista, e conciliador. Morreu assassinado em Paris por um adepto da guerra contra a Alemanha
. – EMMANUEL KANT (1724-1804).
– GOTTFRIED(?)LEIBNIZ (1646-1716).
2- Uma organização de trabalhos é sempre envolvida por contratos, que comportam uma negociação de cláusulas. O burguês, hoje empregador, ocupa o lado mais importante, ficando o proletário, hoje o empregado, em segundo lugar. Antes se falava mais em burguês versus proletário. Em caso de demanda, se diz hoje, reclamação trabalhista, restringem-se a imaginação e o encanto, quando o juiz além da letra do contato analisa as condições de execução do trabalho. Contudo, muitas vezes prevalece o discurso da conciliação, fundamentado em herança infantil que privilegia a dialética dos conceitos, característica da burguesia. Esse procedimento de acordos ou conciliação tem algum parentesco com o idealismo. É a fuga da realidade, condições reais de trabalho, refugiando-se no discurso. E o perigo desse discurso é a contradição. A conciliação encobre essa manobra. As utopias, como se nota no pensamento do professor (?) Jaurès, líder socialista, consistem justamente na tentativa de acomodar frases. É verdade ou não que um acordo social, por contrato explícito inteiro.o, seja contrário ao desenvolvimento dos indivíduos segundo suas possibilidades? E o filósofo (?) Jaurès, na ironia de Alain, diz que não se é forçado a negar um lado da questão quando se afirma o outro.e que ele prova essa façanha afirmando ou aceitando os dois lados. É lamentável esquecer o curso dos acontecimentos para salvar um palavreado. O pão desses senhores é a gramática... E Alain acaba colocando no mesmo balaio o socialista-filósofo Jaurès, as divagações do Dr. Pangloss e o ilustre Leibniz, este o mais habilidoso dos conciliadores. A criança pára de gritar quando ouve uma canção e melhor ainda quando lhe dão um banho. Supõe-se por isso que a conexão aparente do palavreado, por afirmações, negações e distinções encobrem um encadeamento que enforca, aperta os pulmões e oprime o corpo inteiro. É como se a verdadeira causa da mamadeira fossem gritos e choros. A puerilidade é sempre mais eficiente e não deixa de ser utilizada, mesmo por gente importante. Kant(1724-18040) afirmou que um acordo de palavras, por mais perfeito que o seja, não atinge de modo algum, uma arrumação de coisas ou objetos. Uma reunião, recheada das melhores palavras, não muda a vida concreta de ninguém.
3- O povo, de modo geral (NB. Tenho muito medo de falar em nome do povo...), percebe a vacuidade dos discursos? Considera o palavrório de patrões, autoridades e políticos, como tagarelice de marmanjos, alimentados pelo trabalho dos operários? Ou será que o povo acha que esse jogo é remontagem de fatos que ultrapassam humores e não vai à sua fonte que são casa, comida, luz e outros benefícios? É necessário que as palavras produzam coisas e assim seria a ontologia( NB. Ciência do ser ou ente ). Daí é que alguns pensadores teimosos criaram a ideia de uma dialética, que denominam com propriedade de materialista,segundo a qual os sistemas teológicos revelam um modo de viver e trabalhar. Alega-se que há um deus para cada profissão. Só que a ligação do trabalho com a crença é mais forte do que pensam os crentes. E porque o filósofo fala ingenuamente com palavras, ele vive de palavras, requer-se uma filosofia dos filósofos. Sempre se percebe que o inferior carrega o superior. Por isso, a verdade é que o materialismo sustenta o espírito. Saco vazio não pára em pé. Miolo mole não raciocina. A doutrina das religiões se evidencia na vida campestre. O deus TERMO ( palavra ou vocábulo) reina nos centros urbanos e seu rosto, sem rosto, aparece em recantos agrestes.
4- Próximo tema: O MEDO – Sétimo capítulo, dia 29./03/
segunda-feira, 21 de março de 2011
MEDITAÇÕES XXVII
MEDITAÇÕES-XXVII-PRIMEIRO LIVRO-ALADIM
SEXTO CAPÍTULO - BURGUESIA (págs. 45-46)
1- Onde, quando e como nos enganamos naturalmente? Qual é a razão desses tropeços? Percebe-se que os nossos erros não se resumem a repetições de comportamentos infantis. O espetáculo do mundo e a vida em sociedade explicam as armadilhas da imaginação e todos os níveis de religião, que permanecem sempre no mais simple de nossos pensamentos. Sendo a infância mais despreparada, entendemos que nossas origens foram muito limitadas. E não há outro jeito de crescimento humano O segredo dos deuses já aparece em contos e histórias durante esse processo. E essa riqueza arcaica foi amplamente desenvolvida pela condição burguesa. Alain vê-se na obrigação de afirmar, o que se explicará melhor a seu tempo, que a situação burguesa, já presente na infância, desenvolve-se e se enriquece de idéias preciosas. Mais ainda. Sem tais idéias, o pensamento proletário, que se engana menos, mas afinado ao burguês, não teria tomado consciência de sua própria condição. Umas divagações pertinentes. O animal nunca se engana. Ele não edifica altares, nem estátuas e nem fabrica deuses falsos. Por isso dome e dormirá sempre. (NB. O rato supersticioso de behaviorismo – Bloomfield e Skinner). E repetindo: Nós todo fomos burgueses, até os filhos de operários e camponeses, quando crianças.
2- A burguesia é inteiramente marcada pela religião. Suplicar, pedir, orar, rezar e enfim persuadir ou convencer não têm regras estabelecidas. Tudo depende da opinião daquele que se deseja convencer. (NB. Opinião é um estado da mente. Por hipótese, o deus dos cristãos não tem essa fase mental). Na arte ou artimanha de convencer (NB: vendedores, pastores, estelionatários, políticos, mendigos...) evidentemente há o risco de se negligenciar algum detalhe cuja utilidade passa despercebida. Quem deseja ser educado nunca o é suficientemente. A delicadeza pertence ao ofício de seduzir. Por isso todas as práticas são instrumentos úteis nessa profissão de suplicar ou pedir. Por outro lado, o proletário despreza a cortesia. Ele não consegue nada da terra, do ferro ou do chumbo com gentileza. O problema da burguesia é o da partilha (partager) dos bens, enquanto a tarefa dos proletários e agricultores é produzi-los. (NB. Produzir prole.) Na verdade, todos somos um pouco comerciantes.( NB. Peguy: Todos os comerciantes são ladrões). Compreende-se que o mendigo ou pedinte seja um requintado burguês. (NB. Ordens, comunidades mendicantes, algumas ONGS). O mendigo nada consegue sem exercer a arte de pedir por sinais comoventes, pois os andrajos falam e clamam. Pela mesma razão, os desempregados se transferem para os quadros da burguesia. Alain adiante que está apenas desenvolvendo as idéias de Marx quando afirmou que cultura, sentimentos e religião decorrem da maneira de ganha a vida. Mas esse pensamento e suas deduções ainda carecem de muita explicação. Ele ainda é uma visão (vision) como qualquer outra. O proletário, enquanto vive e pensa de acordo com seu trabalho concreto, luta conta a resistência dos materiais e é naturalmente sem religião. Mas também não existe um proletário completo. E ainda é preciso que o risco do proletário perfeito é enganar-se sobre boas maneiras,sinais convencionais, crédito, persuasão, convencimento e enfim sobre a própria religião. Ele não a julga verdadeira. Alain alega ter advertido no começo que no final tudo seja verdadeiro. E o não-ser é nada e nada faz.
3- A questão proposta na semana passada foi respondida? No final, tudo é verdadeiro? Assuntos do próximo encontro: Contrato e frases vazias. Viegas
SEXTO CAPÍTULO - BURGUESIA (págs. 45-46)
1- Onde, quando e como nos enganamos naturalmente? Qual é a razão desses tropeços? Percebe-se que os nossos erros não se resumem a repetições de comportamentos infantis. O espetáculo do mundo e a vida em sociedade explicam as armadilhas da imaginação e todos os níveis de religião, que permanecem sempre no mais simple de nossos pensamentos. Sendo a infância mais despreparada, entendemos que nossas origens foram muito limitadas. E não há outro jeito de crescimento humano O segredo dos deuses já aparece em contos e histórias durante esse processo. E essa riqueza arcaica foi amplamente desenvolvida pela condição burguesa. Alain vê-se na obrigação de afirmar, o que se explicará melhor a seu tempo, que a situação burguesa, já presente na infância, desenvolve-se e se enriquece de idéias preciosas. Mais ainda. Sem tais idéias, o pensamento proletário, que se engana menos, mas afinado ao burguês, não teria tomado consciência de sua própria condição. Umas divagações pertinentes. O animal nunca se engana. Ele não edifica altares, nem estátuas e nem fabrica deuses falsos. Por isso dome e dormirá sempre. (NB. O rato supersticioso de behaviorismo – Bloomfield e Skinner). E repetindo: Nós todo fomos burgueses, até os filhos de operários e camponeses, quando crianças.
2- A burguesia é inteiramente marcada pela religião. Suplicar, pedir, orar, rezar e enfim persuadir ou convencer não têm regras estabelecidas. Tudo depende da opinião daquele que se deseja convencer. (NB. Opinião é um estado da mente. Por hipótese, o deus dos cristãos não tem essa fase mental). Na arte ou artimanha de convencer (NB: vendedores, pastores, estelionatários, políticos, mendigos...) evidentemente há o risco de se negligenciar algum detalhe cuja utilidade passa despercebida. Quem deseja ser educado nunca o é suficientemente. A delicadeza pertence ao ofício de seduzir. Por isso todas as práticas são instrumentos úteis nessa profissão de suplicar ou pedir. Por outro lado, o proletário despreza a cortesia. Ele não consegue nada da terra, do ferro ou do chumbo com gentileza. O problema da burguesia é o da partilha (partager) dos bens, enquanto a tarefa dos proletários e agricultores é produzi-los. (NB. Produzir prole.) Na verdade, todos somos um pouco comerciantes.( NB. Peguy: Todos os comerciantes são ladrões). Compreende-se que o mendigo ou pedinte seja um requintado burguês. (NB. Ordens, comunidades mendicantes, algumas ONGS). O mendigo nada consegue sem exercer a arte de pedir por sinais comoventes, pois os andrajos falam e clamam. Pela mesma razão, os desempregados se transferem para os quadros da burguesia. Alain adiante que está apenas desenvolvendo as idéias de Marx quando afirmou que cultura, sentimentos e religião decorrem da maneira de ganha a vida. Mas esse pensamento e suas deduções ainda carecem de muita explicação. Ele ainda é uma visão (vision) como qualquer outra. O proletário, enquanto vive e pensa de acordo com seu trabalho concreto, luta conta a resistência dos materiais e é naturalmente sem religião. Mas também não existe um proletário completo. E ainda é preciso que o risco do proletário perfeito é enganar-se sobre boas maneiras,sinais convencionais, crédito, persuasão, convencimento e enfim sobre a própria religião. Ele não a julga verdadeira. Alain alega ter advertido no começo que no final tudo seja verdadeiro. E o não-ser é nada e nada faz.
3- A questão proposta na semana passada foi respondida? No final, tudo é verdadeiro? Assuntos do próximo encontro: Contrato e frases vazias. Viegas
segunda-feira, 14 de março de 2011
MEDITAÇÕES-XXVI-PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
MEDITAÇÕES-XXVI-PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
SEXTO CAPÍTULO - BURGUESIA (págs. 44-45)
1- Burguês é o habitante da cidade. Essa palavra é muito explicativa. Ela mostra a oposição entre comércio e ofícios, sobretudo a diferença com o trabalho no campo. A oposição natural entre burgueses e camponeses, nestes, incluiu os lenhadores, e daí os carvoeiros também de minas. O burguês se caracteriza pelo uso do sistema de persuadir, convencer ou fazer-se acreditar no ato de vender alguma coisa. (NB. Vender vaga no paraíso e loterias). Foi um passo para o desenvolvimento das técnicas de venda. (Fenícios, árabes, mascates, bodegueiros, navegantes ibéricos, piratas e corsários). Voltando à categoria dos usuários da arte de persuadir, Alain nela incorpora lojistas, professores, padres, pastores, advogados, ministros e outros. Esses, continua o autor, não mudam nada na face da terra e nem transportam ou carregam mercadorias (?). Não são os objetos produzidos que se enfrentam com os burgueses, mas outras pessoas humanas. Desse embate nascem e renascem espantosos prejuízos e preconceitos que, na raiz, configuram a permanência da infância no adulto. O burguês se aperfeiçoa na arte comandar seus empregados ou serviçais e nutrisses. Esta é também a habilidade peculiar dos soberanos. E nesse caso se trata de uma infância mais competente que usa uma vara de condão mais apropriada.
2- O espetáculo do lançamento de uma pedra fundamental e suas implicações é significativo. A fala do ministro, primeira pedra, o mestre de obra deslumbrante, tudo sob comando de palavras. A força verbal carrega pedras, cimento, ferro, madeira e outros instrumentos. Nesse exercício da profissão de ministro não se aprende nada sobre a produção de material para o empreendimento. Porque se fica embevecido com os contos de fadas? Para algumas pessoas, um edifício se ergue apenas por uma ordem, um decreto. Na caixa da pedra fundamental, depositam-se moedas. Elas são a representação ou o sinal. Esta mágica é real; “payer n’instruit pas”. Instruir e pagar são cozinhar o alimento dos ceifadores e transportá-los. Aplaude-se a criança que ajuda a babá, levando à mesa o saleiro ou uma colher de sopa. Assim é o burguês, sempre tangenciando o real.
3- Nós todos fomos burgueses, até os filhos de operários e camponeses, quando crianças. E o operário volta à posição infantil, quando ele (“se marchande”) regateia o valor do salário, pois está usando a técnica da persuasão (ameaça?). Não estou falando de negociantes ou de líderes sindicais, porque eles são burgueses completos, justamente no momento em que pretendem não serem os tais. Essa mistura de ficções com realidade, consequência dessa duplicidade, encerra o segredo de todas as (nossas?) desavenças. Todas as guerras são religiosas, mas todos os devotos contestam essa afirmação. É preciso saber o quê nos leva naturalmente a enganos e a causa desses estragos.
4- O próximo encontro é sobre essa pergunta. Viegas.
SEXTO CAPÍTULO - BURGUESIA (págs. 44-45)
1- Burguês é o habitante da cidade. Essa palavra é muito explicativa. Ela mostra a oposição entre comércio e ofícios, sobretudo a diferença com o trabalho no campo. A oposição natural entre burgueses e camponeses, nestes, incluiu os lenhadores, e daí os carvoeiros também de minas. O burguês se caracteriza pelo uso do sistema de persuadir, convencer ou fazer-se acreditar no ato de vender alguma coisa. (NB. Vender vaga no paraíso e loterias). Foi um passo para o desenvolvimento das técnicas de venda. (Fenícios, árabes, mascates, bodegueiros, navegantes ibéricos, piratas e corsários). Voltando à categoria dos usuários da arte de persuadir, Alain nela incorpora lojistas, professores, padres, pastores, advogados, ministros e outros. Esses, continua o autor, não mudam nada na face da terra e nem transportam ou carregam mercadorias (?). Não são os objetos produzidos que se enfrentam com os burgueses, mas outras pessoas humanas. Desse embate nascem e renascem espantosos prejuízos e preconceitos que, na raiz, configuram a permanência da infância no adulto. O burguês se aperfeiçoa na arte comandar seus empregados ou serviçais e nutrisses. Esta é também a habilidade peculiar dos soberanos. E nesse caso se trata de uma infância mais competente que usa uma vara de condão mais apropriada.
2- O espetáculo do lançamento de uma pedra fundamental e suas implicações é significativo. A fala do ministro, primeira pedra, o mestre de obra deslumbrante, tudo sob comando de palavras. A força verbal carrega pedras, cimento, ferro, madeira e outros instrumentos. Nesse exercício da profissão de ministro não se aprende nada sobre a produção de material para o empreendimento. Porque se fica embevecido com os contos de fadas? Para algumas pessoas, um edifício se ergue apenas por uma ordem, um decreto. Na caixa da pedra fundamental, depositam-se moedas. Elas são a representação ou o sinal. Esta mágica é real; “payer n’instruit pas”. Instruir e pagar são cozinhar o alimento dos ceifadores e transportá-los. Aplaude-se a criança que ajuda a babá, levando à mesa o saleiro ou uma colher de sopa. Assim é o burguês, sempre tangenciando o real.
3- Nós todos fomos burgueses, até os filhos de operários e camponeses, quando crianças. E o operário volta à posição infantil, quando ele (“se marchande”) regateia o valor do salário, pois está usando a técnica da persuasão (ameaça?). Não estou falando de negociantes ou de líderes sindicais, porque eles são burgueses completos, justamente no momento em que pretendem não serem os tais. Essa mistura de ficções com realidade, consequência dessa duplicidade, encerra o segredo de todas as (nossas?) desavenças. Todas as guerras são religiosas, mas todos os devotos contestam essa afirmação. É preciso saber o quê nos leva naturalmente a enganos e a causa desses estragos.
4- O próximo encontro é sobre essa pergunta. Viegas.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
MEDITAÇÕES XXV(A) – PRIMEIRO LIVRO – ALADIN
QUINTO CAPÍTULO (pág. 42 a 44)
TRABALHO (cont.)
1-Comecei a entender a palavra visões. Vulgarmente entende-se que se trata de coisas enganadoras e enganosas. Mas ninguém normalmente deixa de trabalhar por causa de fantasias, como o sonho de encontrar um tesouro no quintal. O perigo acontece é com o trabalho de estudante aplicado que às vezes não passa de um visionário inteligente. Como lembrou Maine de Biran, o geômetra vidente se delicia com o espetáculo de seus desenhos. Ele navega em intuições e evidências. Preocupa-se com a verdade?
E como se comporta um geômetra cego? Ele é que é o verdadeiro? Por quê? Ele não sustenta nada. Faz o que pensa. Constrói e desconstrói. O triângulo não é um segredo que nos desafie, ainda que o estudante aplicado não esteja impedido de desenhar o olho de Deus no centro dele. Estudar triângulo seria trabalho ou imitação? Fazer deduções corretamente ou não no estudo e medição de ângulos é também um discurso, que compreende afirmações e negações (N.B. Ensino de geometria a deficientes visuais). A diferença entre geômetra cego ou deficiente não quer dizer nada enquanto a geometria permanecer geometria, que apenas projeta mundos possíveis.
Ma se se quiser empurrar a geometria, via mecânica ou física, coisificando suas elucubrações, usam-se as mãos. O olho apenas idealista não realiza nada. Essa ideia é difícil? De qualquer modo agradeço a Maine de Biran que me ajudou a entende os visionários, esses sonhadores de mundos, sempre aguardando algum milagre, isto é, um tesouro sem trabalho. Esses visionários ficam procurando uma prova da existência do mundo, sem jamais encontrá-la. Eles não sabem o que é a existência, só pensam no banquete episcopal.
2- A condição da criança é mesma, porém mais natural. Contudo a experiência infantil é o início e origem de nossos erros. Isso é o que pretendo explicar. A criança ignora o trabalho. (NB. Recordar os estados da mente: certeza, opinião...). As brincadeiras são esforços sem resultados duráveis, como escrever na areia. Escreve-se, apaga-se, repete-se a mesma coisa e vai-se por ai. Mas o trabalho visa um resultado duradouro, enquanto o jogo infantil é apenas ficção e principalmente imitação de profissões. ( Brincar de casinha,de boneca,de médico, de aplicar injeção...). Os brinquedos não mexem com o mundo, ficam apenas em palavras e mímicas. E quem não mexe com o mundo, ignora-o. Se não se aplicar ao mundo, de acordo com uma mecânica cega, as leis do trabalho, nunca se saberá quanto custa transformar um pântano numa roça de milho. Os contos privilegiam a narração de sucessos obtidos por suplicas ou milagres, onde nada se adquire por trabalho. É o reino do anjo Ariel, da cultura cabalística, que nos ajuda a agradecer a Deus os bens recebidos, facilita-nos a descoberta de tesouros ocultos e nos sonhos revela-nos os segredos do amor, da natureza e a localizar objetos perdidos. Mas o espírito ou estro, deus dos deuses, comportando-se como Ariel, engana-se, pois acaba não descobrindo coisa alguma. De onde vem o alimento? Qual a razão do aumento do preço do pão? Quem cuida da segurança alimentar? Eu me alimento, sabendo ou não, do trabalho dos seres humanos. Em quase todas as coisas nós nos comportamos como visionários, até inocentes. O geômetra visionário se alimenta de triângulos, enquanto outros tomam o café da manhã, como se fosse um milagre.
3- Próximo: BURGUESIA
MEDITAÇÕES XXV(A) – PRIMEIRO LIVRO – ALADIN
QUINTO CAPÍTULO (pág. 42 a 44)
TRABALHO (cont.)
1-Comecei a entender a palavra visões. Vulgarmente entende-se que se trata de coisas enganadoras e enganosas. Mas ninguém normalmente deixa de trabalhar por causa de fantasias, como o sonho de encontrar um tesouro no quintal. O perigo acontece é com o trabalho de estudante aplicado que às vezes não passa de um visionário inteligente. Como lembrou Maine de Biran, o geômetra vidente se delicia com o espetáculo de seus desenhos. Ele navega em intuições e evidências. Preocupa-se com a verdade?
E como se comporta um geômetra cego? Ele é que é o verdadeiro? Por quê? Ele não sustenta nada. Faz o que pensa. Constrói e desconstrói. O triângulo não é um segredo que nos desafie, ainda que o estudante aplicado não esteja impedido de desenhar o olho de Deus no centro dele. Estudar triângulo seria trabalho ou imitação? Fazer deduções corretamente ou não no estudo e medição de ângulos é também um discurso, que compreende afirmações e negações (N.B. Ensino de geometria a deficientes visuais). A diferença entre geômetra cego ou deficiente não quer dizer nada enquanto a geometria permanecer geometria, que apenas projeta mundos possíveis.
Ma se se quiser empurrar a geometria, via mecânica ou física, coisificando suas elucubrações, usam-se as mãos. O olho apenas idealista não realiza nada. Essa ideia é difícil? De qualquer modo agradeço a Maine de Biran que me ajudou a entende os visionários, esses sonhadores de mundos, sempre aguardando algum milagre, isto é, um tesouro sem trabalho. Esses visionários ficam procurando uma prova da existência do mundo, sem jamais encontrá-la. Eles não sabem o que é a existência, só pensam no banquete episcopal.
2- A condição da criança é mesma, porém mais natural. Contudo a experiência infantil é o início e origem de nossos erros. Isso é o que pretendo explicar. A criança ignora o trabalho. (NB. Recordar os estados da mente: certeza, opinião...). As brincadeiras são esforços sem resultados duráveis, como escrever na areia. Escreve-se, apaga-se, repete-se a mesma coisa e vai-se por ai. Mas o trabalho visa um resultado duradouro, enquanto o jogo infantil é apenas ficção e principalmente imitação de profissões. ( Brincar de casinha,de boneca,de médico, de aplicar injeção...). Os brinquedos não mexem com o mundo, ficam apenas em palavras e mímicas. E quem não mexe com o mundo, ignora-o. Se não se aplicar ao mundo, de acordo com uma mecânica cega, as leis do trabalho, nunca se saberá quanto custa transformar um pântano numa roça de milho. Os contos privilegiam a narração de sucessos obtidos por suplicas ou milagres, onde nada se adquire por trabalho. É o reino do anjo Ariel, da cultura cabalística, que nos ajuda a agradecer a Deus os bens recebidos, facilita-nos a descoberta de tesouros ocultos e nos sonhos revela-nos os segredos do amor, da natureza e a localizar objetos perdidos. Mas o espírito ou estro, deus dos deuses, comportando-se como Ariel, engana-se, pois acaba não descobrindo coisa alguma. De onde vem o alimento? Qual a razão do aumento do preço do pão? Quem cuida da segurança alimentar? Eu me alimento, sabendo ou não, do trabalho dos seres humanos. Em quase todas as coisas nós nos comportamos como visionários, até inocentes. O geômetra visionário se alimenta de triângulos, enquanto outros tomam o café da manhã, como se fosse um milagre.
3- Próximo: BURGUESIA
QUINTO CAPÍTULO (pág. 42 a 44)
TRABALHO (cont.)
1-Comecei a entender a palavra visões. Vulgarmente entende-se que se trata de coisas enganadoras e enganosas. Mas ninguém normalmente deixa de trabalhar por causa de fantasias, como o sonho de encontrar um tesouro no quintal. O perigo acontece é com o trabalho de estudante aplicado que às vezes não passa de um visionário inteligente. Como lembrou Maine de Biran, o geômetra vidente se delicia com o espetáculo de seus desenhos. Ele navega em intuições e evidências. Preocupa-se com a verdade?
E como se comporta um geômetra cego? Ele é que é o verdadeiro? Por quê? Ele não sustenta nada. Faz o que pensa. Constrói e desconstrói. O triângulo não é um segredo que nos desafie, ainda que o estudante aplicado não esteja impedido de desenhar o olho de Deus no centro dele. Estudar triângulo seria trabalho ou imitação? Fazer deduções corretamente ou não no estudo e medição de ângulos é também um discurso, que compreende afirmações e negações (N.B. Ensino de geometria a deficientes visuais). A diferença entre geômetra cego ou deficiente não quer dizer nada enquanto a geometria permanecer geometria, que apenas projeta mundos possíveis.
Ma se se quiser empurrar a geometria, via mecânica ou física, coisificando suas elucubrações, usam-se as mãos. O olho apenas idealista não realiza nada. Essa ideia é difícil? De qualquer modo agradeço a Maine de Biran que me ajudou a entende os visionários, esses sonhadores de mundos, sempre aguardando algum milagre, isto é, um tesouro sem trabalho. Esses visionários ficam procurando uma prova da existência do mundo, sem jamais encontrá-la. Eles não sabem o que é a existência, só pensam no banquete episcopal.
2- A condição da criança é mesma, porém mais natural. Contudo a experiência infantil é o início e origem de nossos erros. Isso é o que pretendo explicar. A criança ignora o trabalho. (NB. Recordar os estados da mente: certeza, opinião...). As brincadeiras são esforços sem resultados duráveis, como escrever na areia. Escreve-se, apaga-se, repete-se a mesma coisa e vai-se por ai. Mas o trabalho visa um resultado duradouro, enquanto o jogo infantil é apenas ficção e principalmente imitação de profissões. ( Brincar de casinha,de boneca,de médico, de aplicar injeção...). Os brinquedos não mexem com o mundo, ficam apenas em palavras e mímicas. E quem não mexe com o mundo, ignora-o. Se não se aplicar ao mundo, de acordo com uma mecânica cega, as leis do trabalho, nunca se saberá quanto custa transformar um pântano numa roça de milho. Os contos privilegiam a narração de sucessos obtidos por suplicas ou milagres, onde nada se adquire por trabalho. É o reino do anjo Ariel, da cultura cabalística, que nos ajuda a agradecer a Deus os bens recebidos, facilita-nos a descoberta de tesouros ocultos e nos sonhos revela-nos os segredos do amor, da natureza e a localizar objetos perdidos. Mas o espírito ou estro, deus dos deuses, comportando-se como Ariel, engana-se, pois acaba não descobrindo coisa alguma. De onde vem o alimento? Qual a razão do aumento do preço do pão? Quem cuida da segurança alimentar? Eu me alimento, sabendo ou não, do trabalho dos seres humanos. Em quase todas as coisas nós nos comportamos como visionários, até inocentes. O geômetra visionário se alimenta de triângulos, enquanto outros tomam o café da manhã, como se fosse um milagre.
3- Próximo: BURGUESIA
MEDITAÇÕES XXV(A) – PRIMEIRO LIVRO – ALADIN
QUINTO CAPÍTULO (pág. 42 a 44)
TRABALHO (cont.)
1-Comecei a entender a palavra visões. Vulgarmente entende-se que se trata de coisas enganadoras e enganosas. Mas ninguém normalmente deixa de trabalhar por causa de fantasias, como o sonho de encontrar um tesouro no quintal. O perigo acontece é com o trabalho de estudante aplicado que às vezes não passa de um visionário inteligente. Como lembrou Maine de Biran, o geômetra vidente se delicia com o espetáculo de seus desenhos. Ele navega em intuições e evidências. Preocupa-se com a verdade?
E como se comporta um geômetra cego? Ele é que é o verdadeiro? Por quê? Ele não sustenta nada. Faz o que pensa. Constrói e desconstrói. O triângulo não é um segredo que nos desafie, ainda que o estudante aplicado não esteja impedido de desenhar o olho de Deus no centro dele. Estudar triângulo seria trabalho ou imitação? Fazer deduções corretamente ou não no estudo e medição de ângulos é também um discurso, que compreende afirmações e negações (N.B. Ensino de geometria a deficientes visuais). A diferença entre geômetra cego ou deficiente não quer dizer nada enquanto a geometria permanecer geometria, que apenas projeta mundos possíveis.
Ma se se quiser empurrar a geometria, via mecânica ou física, coisificando suas elucubrações, usam-se as mãos. O olho apenas idealista não realiza nada. Essa ideia é difícil? De qualquer modo agradeço a Maine de Biran que me ajudou a entende os visionários, esses sonhadores de mundos, sempre aguardando algum milagre, isto é, um tesouro sem trabalho. Esses visionários ficam procurando uma prova da existência do mundo, sem jamais encontrá-la. Eles não sabem o que é a existência, só pensam no banquete episcopal.
2- A condição da criança é mesma, porém mais natural. Contudo a experiência infantil é o início e origem de nossos erros. Isso é o que pretendo explicar. A criança ignora o trabalho. (NB. Recordar os estados da mente: certeza, opinião...). As brincadeiras são esforços sem resultados duráveis, como escrever na areia. Escreve-se, apaga-se, repete-se a mesma coisa e vai-se por ai. Mas o trabalho visa um resultado duradouro, enquanto o jogo infantil é apenas ficção e principalmente imitação de profissões. ( Brincar de casinha,de boneca,de médico, de aplicar injeção...). Os brinquedos não mexem com o mundo, ficam apenas em palavras e mímicas. E quem não mexe com o mundo, ignora-o. Se não se aplicar ao mundo, de acordo com uma mecânica cega, as leis do trabalho, nunca se saberá quanto custa transformar um pântano numa roça de milho. Os contos privilegiam a narração de sucessos obtidos por suplicas ou milagres, onde nada se adquire por trabalho. É o reino do anjo Ariel, da cultura cabalística, que nos ajuda a agradecer a Deus os bens recebidos, facilita-nos a descoberta de tesouros ocultos e nos sonhos revela-nos os segredos do amor, da natureza e a localizar objetos perdidos. Mas o espírito ou estro, deus dos deuses, comportando-se como Ariel, engana-se, pois acaba não descobrindo coisa alguma. De onde vem o alimento? Qual a razão do aumento do preço do pão? Quem cuida da segurança alimentar? Eu me alimento, sabendo ou não, do trabalho dos seres humanos. Em quase todas as coisas nós nos comportamos como visionários, até inocentes. O geômetra visionário se alimenta de triângulos, enquanto outros tomam o café da manhã, como se fosse um milagre.
3- Próximo: BURGUESIA
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
MEDITAÇÕES XXIV
MEDITAÇÕES-XXIV-PRIMEIRO LIVRO-ALADIM
Quinto capítulo
TRABALHO (pág.38 a 42)
1- Enquanto não tem obrigação de trabalhar, a criança é idealista, assim como qualquer adulto infantilizado. Há muitas profissões que acreditam mais na lâmpada de Aladim e nas súplicas. Balaoo tenta explicar a seu irmão Gabriel que comida se troca por dinheiro. Uma lição de moral e de boas maneiras. E o Duque de Villeroy sabia que a moeda se ganha com trabalho de sol a sol? As crianças não conseguem entender que os tesouros de Aladim são frutos do trabalho. Berkeley achava que o mundo chamado exterior não passava de produção semelhante à de um santeiro (imagerie) internalizado. Mas depois de uma viagem de barco, o bispo voltava para o jantar. Quem preparava a refeição? Quem comprava os cereais? Na viagem de barco, quem remava? Quem erguia as velas? Por isso é que se distingue viagem de viajantes. O mundo imaterial de Berkeley e de outros não se dava bem com a realidade de um banquete episcopal. Por sua condição, a criança é apenas um passageiro, sem nenhuma incumbência na condução do barco. Seu trabalho, próprio e limpo, é crescer como os lírios do campo.
2- Maine de Biran lembra que um objeto que oferece resistência ao meu toque manual desperta em mim alguma sensação. A existência de algo é fruto de trabalho das mãos. A ação de ver é idealista. O tocar, resultante de esforço e trabalho ativo, leva-nos a experimentar o real. Maine de Biran, brinca Alain, estava no bom caminho, mas o esforço ainda não é trabalho e a ação do filósofo ainda deixava alguns sinais de magia.
3- Há pessoas que levam em conta a realidade que oferece resistência aos nossos sentidos, principalmente o tato. Outras se contentam com a vista, pouco notando que a realidade está perpetuamente em movimento e por isso suas visões se reduzem a retratos instantâneos. Por derivação, observem-se as diferenças entre um viajante de um alpinista. Viajar é trabalho, ainda que o viajante seja conduzido? O alpinista trabalha e sente a mudança da paisagem. Há proporção entre trabalho e mudança? O interessante é que por ai se encontra ai uma aparência que lembra os contos (pág.41). Contos, santeiros, súplicas, jantar episcopal, lírios do campo, trabalho e dinheiro. Um caldo de conceitos. Depois de algumas reflexões talvez se possa dizer que onde funcionam as vísceras, os braços, os instrumentos, a terra que resiste à enxada, o que se deduz é algo bastante antagônico ao idealismo. O agricultor sente a diferença entre o ato de lavrar e o surgimento de uma lavoura. Esse resultado não depende de lâmpada de Aladim. O mundo não é mais jogo ou brincadeira. E trabalho não é brinquedo. E do trabalho surgem dois conceitos correlativos: PODER E NECESSIDADE. O que é necessidade para Alain? E se um dia o agricultor encontrar um tesouro em suas terras começará a sonhar, tornando-se um mágico.
4- E a conversa continua na próxima semana. Viegas
Quinto capítulo
TRABALHO (pág.38 a 42)
1- Enquanto não tem obrigação de trabalhar, a criança é idealista, assim como qualquer adulto infantilizado. Há muitas profissões que acreditam mais na lâmpada de Aladim e nas súplicas. Balaoo tenta explicar a seu irmão Gabriel que comida se troca por dinheiro. Uma lição de moral e de boas maneiras. E o Duque de Villeroy sabia que a moeda se ganha com trabalho de sol a sol? As crianças não conseguem entender que os tesouros de Aladim são frutos do trabalho. Berkeley achava que o mundo chamado exterior não passava de produção semelhante à de um santeiro (imagerie) internalizado. Mas depois de uma viagem de barco, o bispo voltava para o jantar. Quem preparava a refeição? Quem comprava os cereais? Na viagem de barco, quem remava? Quem erguia as velas? Por isso é que se distingue viagem de viajantes. O mundo imaterial de Berkeley e de outros não se dava bem com a realidade de um banquete episcopal. Por sua condição, a criança é apenas um passageiro, sem nenhuma incumbência na condução do barco. Seu trabalho, próprio e limpo, é crescer como os lírios do campo.
2- Maine de Biran lembra que um objeto que oferece resistência ao meu toque manual desperta em mim alguma sensação. A existência de algo é fruto de trabalho das mãos. A ação de ver é idealista. O tocar, resultante de esforço e trabalho ativo, leva-nos a experimentar o real. Maine de Biran, brinca Alain, estava no bom caminho, mas o esforço ainda não é trabalho e a ação do filósofo ainda deixava alguns sinais de magia.
3- Há pessoas que levam em conta a realidade que oferece resistência aos nossos sentidos, principalmente o tato. Outras se contentam com a vista, pouco notando que a realidade está perpetuamente em movimento e por isso suas visões se reduzem a retratos instantâneos. Por derivação, observem-se as diferenças entre um viajante de um alpinista. Viajar é trabalho, ainda que o viajante seja conduzido? O alpinista trabalha e sente a mudança da paisagem. Há proporção entre trabalho e mudança? O interessante é que por ai se encontra ai uma aparência que lembra os contos (pág.41). Contos, santeiros, súplicas, jantar episcopal, lírios do campo, trabalho e dinheiro. Um caldo de conceitos. Depois de algumas reflexões talvez se possa dizer que onde funcionam as vísceras, os braços, os instrumentos, a terra que resiste à enxada, o que se deduz é algo bastante antagônico ao idealismo. O agricultor sente a diferença entre o ato de lavrar e o surgimento de uma lavoura. Esse resultado não depende de lâmpada de Aladim. O mundo não é mais jogo ou brincadeira. E trabalho não é brinquedo. E do trabalho surgem dois conceitos correlativos: PODER E NECESSIDADE. O que é necessidade para Alain? E se um dia o agricultor encontrar um tesouro em suas terras começará a sonhar, tornando-se um mágico.
4- E a conversa continua na próxima semana. Viegas
domingo, 13 de fevereiro de 2011
MEDITAÇÕES XXIII-
MEDITAÇÕES-XXIII-PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
QUINTO CAPÍTULO
TRABALHO (pág. 38-44)
PRELIMINARES
1-É comum lembrar-nos que o nosso alimento de cada dia é fruto do trabalho de outras pessoas? Somos crianças e idealistas, no uso de muitas coisas ou em quase todas. O geômetra visionário se alimenta de triângulos do mesmo modo que toma café da manhã. Milagre? O autor aproveita os exemplos para falar do jogo como trabalho infantil, do dinheiro e da criança que mora no adulto. Será que está preparando o terreno só para discorrer sobre o conceito de burguesia no próximo capítulo?
2-Baloo, numa história parecida com as contadas por Rudyard Kipling, era um macaco que aprendeu a falar e participava da vida social dos humanos.Teve problemas quando tentou introduzir no grupo dos bem-pensantes seu irmão que ignorava as leis para a aquisição de objetos. Aproveita a oportunidade para ensinar o valor das coisas e a exigência do dinheiro como instrumento de compra ?
3- O Duque de Villeroy, serviçal de Luis XIX(?), dinheiro e escrivaninha.
4-George Berkeley (1685-1763). Um resumo com vistas ao aproveitamento no presente capítulo. Era bispo anglicano e filósofo. Empirista radical, achava que o conhecimento não ia além da percepção sensível. Tudo o mais pertence ao mundo da imaginação. Seu livro principal intitula-se PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO HUMANO. É chamado também de imaterialista, pois não admite a realidade material não palpável ou fora do alcance dos sentidos.
5-Maine de Biran (1766-1824), citado por nosso autor, pensava que a consciência só existe como reação a alguma coisa externa. Nesse confronto é que acontece o fenômeno da consciência ou do sujeito. Continuando sua reflexão, estabelece uma distinção entre as imagens que as coisas exteriores provocam no sujeito (impressão passiva) e aquelas que resultam da atividade interna do eu. Principais obras: A DECOMPOSIÇÃO DO PENSAMENTO e RELAÇÕES ENTRE O FÍSICO E O MORAL.
6-Temas para o próximo encontro.
- Idealismo e infantilismo (1)
- Súplicas e a lâmpada de Aladim (2)
- Criança, dinheiro e adulto
- Berkeley e banquete episcopal
- Trabalho de criança (crescer) e lírios do campo
- Os geômetras e o trabalho.
Viegas
1-
QUINTO CAPÍTULO
TRABALHO (pág. 38-44)
PRELIMINARES
1-É comum lembrar-nos que o nosso alimento de cada dia é fruto do trabalho de outras pessoas? Somos crianças e idealistas, no uso de muitas coisas ou em quase todas. O geômetra visionário se alimenta de triângulos do mesmo modo que toma café da manhã. Milagre? O autor aproveita os exemplos para falar do jogo como trabalho infantil, do dinheiro e da criança que mora no adulto. Será que está preparando o terreno só para discorrer sobre o conceito de burguesia no próximo capítulo?
2-Baloo, numa história parecida com as contadas por Rudyard Kipling, era um macaco que aprendeu a falar e participava da vida social dos humanos.Teve problemas quando tentou introduzir no grupo dos bem-pensantes seu irmão que ignorava as leis para a aquisição de objetos. Aproveita a oportunidade para ensinar o valor das coisas e a exigência do dinheiro como instrumento de compra ?
3- O Duque de Villeroy, serviçal de Luis XIX(?), dinheiro e escrivaninha.
4-George Berkeley (1685-1763). Um resumo com vistas ao aproveitamento no presente capítulo. Era bispo anglicano e filósofo. Empirista radical, achava que o conhecimento não ia além da percepção sensível. Tudo o mais pertence ao mundo da imaginação. Seu livro principal intitula-se PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO HUMANO. É chamado também de imaterialista, pois não admite a realidade material não palpável ou fora do alcance dos sentidos.
5-Maine de Biran (1766-1824), citado por nosso autor, pensava que a consciência só existe como reação a alguma coisa externa. Nesse confronto é que acontece o fenômeno da consciência ou do sujeito. Continuando sua reflexão, estabelece uma distinção entre as imagens que as coisas exteriores provocam no sujeito (impressão passiva) e aquelas que resultam da atividade interna do eu. Principais obras: A DECOMPOSIÇÃO DO PENSAMENTO e RELAÇÕES ENTRE O FÍSICO E O MORAL.
6-Temas para o próximo encontro.
- Idealismo e infantilismo (1)
- Súplicas e a lâmpada de Aladim (2)
- Criança, dinheiro e adulto
- Berkeley e banquete episcopal
- Trabalho de criança (crescer) e lírios do campo
- Os geômetras e o trabalho.
Viegas
1-
sábado, 29 de janeiro de 2011
AVISO IMPORTANTE
Gente amiga, por motivos imprevistos, não haverá reuniões nos dias primeiro e oito de Fevereiro próximo. Retomaremos nossas atividades no dia 15. O tema será TRABALHO, conforme anunciado.
Viegas
Viegas
sábado, 22 de janeiro de 2011
Lembrete
Na próxima Têrça-Feira,25, por falta de pão de queijo na praça, não haverá reunião.No dia primeiro de fevereiro o tema será TRABALHO. Viegas
sábado, 15 de janeiro de 2011
Meditações XXII
MEDITAÇÕES XXII
PRIMEIRO LIVRO – ALADIN
QUARTO CAPÍTULO –SÚPLICAS (pág. 36 a 38)
1- O contexto é a relação entre realidade, imaginação, palavra declamada e reflexos no corpo. O real da imaginação se manifesta em algum movimento do corpo. Ele não disfarça. A arte de nomear e chamar é a mais utilizada. O objetivo da trama evocativa orienta-se para o futuro que aconteceu há pouco. O engenhoso roteiro prende a nossa atenção para o que há de suceder. O que se anuncia no texto é sempre o que se dará. O predizer é criativo. O encantamento é a lei da poesia, palavra que significa criação. Esta magia, o poder de produção da palavra, é assimilada experimentalmente. O fato de a criança chamar alguém e ele aparecer transforma-se, no adulto, em espetáculos de prestidigitadores ou feiticeiros. Eles fazem as coisas desejadas aparecerem e somem com as indesejáveis.
2- Afirma-se por aí que conhecemos todas as coisas através do convívio humano. Alan acha essa ideia bastante nebulosa. Ela estaria ancorada em evidências abstratas. Um exemplo é a demonstração da imortalidade da alma. O mesmo tipo de raciocínio se aplicaria a falta de condições reais para a invenção (criação) de deuses, praticada por adolescentes e adultos.
3- Outra advertência importante é que crianças e às vezes os adultos enxergam por todo o canto o querer caprichoso de algum humano. Isso é verdade por atacado. Olhando profundamente, percebe-se que esse conceito é totalmente falso. Adultos e crianças não vêem o mundo como ele se mostra ou como ele é de fato. Mas o discurso, recitativo, poesia ou oração, cria um outro mundo, povoado de coisas, animais e de seres humanos e de tudo o que se pode chamar pelo nome. Um mundo que nunca se mostra.
4- Para a magia, Alan tenta explicar-se, é indiferente o objeto evocado.A ligação resulta do vocábulo pronunciado com a coisa invisível. Essa maneira de agir, a evocação, mostra um poder imperioso e imperial sobre a realidade nomeada. Essa experiência é a primeira para todos os seres humanos. Antecipando um pouco o assunto, pode-se concluir que não é menos mitológico querer mudar, por palavras, um homem do que mandar a água brotar de uma pedra.
5- O mundo real dos homens é o que ele é, cego e surdo como os rochedos e sua transformação requer habilidades, roldanas e alavancas, isto é, instrumentos, experiência e trabalho. E isso não se descobre logo, e contudo é sabido mais depressa do que acreditado (cela est su plutôt que cru). Acredita-se no texto declamado. Compreende-se melhor porque uma aparição é o anúncio de uma aparição, e por isso a repetição deve ser feita nos mesmos moldes. Reparem-se os ritos. A criança faz questão dessa fidelidade. Parece que o objeto faz parte da frase evocativa. Os contos são relatos de súplicas atendidas. A palavra garante-se a si própria. Essa é a sua força. E a psicanálise ?
6- Nada falta a história de Aladin e sua lâmpada maravilhosa. Ali se retrata o mundo infantil. Riquezas e coisas deliciosas estão guardadas ou escondidas. O que se requer é chave para descobri-las. Chamar o encarregado, mesmo sem dar-lhe importância como esfregar uma lâmpada, é a solução. Para criança esse processo se utiliza da física dos sinais. Na vida adulta, haja sinais e fricções de lâmpadas. Esse grupo mágico de gênios poderosos passa a cortejar deuses superiores ou neles se transformam. O teólogo, que se recusa a esfregar a lâmpada não tem razão de se achar razoável. Ele não o é bastante. Entenderam?
7- Próximo encontro: o trabalho, quem é que o aguenta? Texto postado sem revisão do Viegas. Patrícia Lucena.
PRIMEIRO LIVRO – ALADIN
QUARTO CAPÍTULO –SÚPLICAS (pág. 36 a 38)
1- O contexto é a relação entre realidade, imaginação, palavra declamada e reflexos no corpo. O real da imaginação se manifesta em algum movimento do corpo. Ele não disfarça. A arte de nomear e chamar é a mais utilizada. O objetivo da trama evocativa orienta-se para o futuro que aconteceu há pouco. O engenhoso roteiro prende a nossa atenção para o que há de suceder. O que se anuncia no texto é sempre o que se dará. O predizer é criativo. O encantamento é a lei da poesia, palavra que significa criação. Esta magia, o poder de produção da palavra, é assimilada experimentalmente. O fato de a criança chamar alguém e ele aparecer transforma-se, no adulto, em espetáculos de prestidigitadores ou feiticeiros. Eles fazem as coisas desejadas aparecerem e somem com as indesejáveis.
2- Afirma-se por aí que conhecemos todas as coisas através do convívio humano. Alan acha essa ideia bastante nebulosa. Ela estaria ancorada em evidências abstratas. Um exemplo é a demonstração da imortalidade da alma. O mesmo tipo de raciocínio se aplicaria a falta de condições reais para a invenção (criação) de deuses, praticada por adolescentes e adultos.
3- Outra advertência importante é que crianças e às vezes os adultos enxergam por todo o canto o querer caprichoso de algum humano. Isso é verdade por atacado. Olhando profundamente, percebe-se que esse conceito é totalmente falso. Adultos e crianças não vêem o mundo como ele se mostra ou como ele é de fato. Mas o discurso, recitativo, poesia ou oração, cria um outro mundo, povoado de coisas, animais e de seres humanos e de tudo o que se pode chamar pelo nome. Um mundo que nunca se mostra.
4- Para a magia, Alan tenta explicar-se, é indiferente o objeto evocado.A ligação resulta do vocábulo pronunciado com a coisa invisível. Essa maneira de agir, a evocação, mostra um poder imperioso e imperial sobre a realidade nomeada. Essa experiência é a primeira para todos os seres humanos. Antecipando um pouco o assunto, pode-se concluir que não é menos mitológico querer mudar, por palavras, um homem do que mandar a água brotar de uma pedra.
5- O mundo real dos homens é o que ele é, cego e surdo como os rochedos e sua transformação requer habilidades, roldanas e alavancas, isto é, instrumentos, experiência e trabalho. E isso não se descobre logo, e contudo é sabido mais depressa do que acreditado (cela est su plutôt que cru). Acredita-se no texto declamado. Compreende-se melhor porque uma aparição é o anúncio de uma aparição, e por isso a repetição deve ser feita nos mesmos moldes. Reparem-se os ritos. A criança faz questão dessa fidelidade. Parece que o objeto faz parte da frase evocativa. Os contos são relatos de súplicas atendidas. A palavra garante-se a si própria. Essa é a sua força. E a psicanálise ?
6- Nada falta a história de Aladin e sua lâmpada maravilhosa. Ali se retrata o mundo infantil. Riquezas e coisas deliciosas estão guardadas ou escondidas. O que se requer é chave para descobri-las. Chamar o encarregado, mesmo sem dar-lhe importância como esfregar uma lâmpada, é a solução. Para criança esse processo se utiliza da física dos sinais. Na vida adulta, haja sinais e fricções de lâmpadas. Esse grupo mágico de gênios poderosos passa a cortejar deuses superiores ou neles se transformam. O teólogo, que se recusa a esfregar a lâmpada não tem razão de se achar razoável. Ele não o é bastante. Entenderam?
7- Próximo encontro: o trabalho, quem é que o aguenta? Texto postado sem revisão do Viegas. Patrícia Lucena.
domingo, 9 de janeiro de 2011
MEDITAÇÕES XXI
MEDITAÇÕES-XXI-PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
Quarto Capítulo (continuação)
SÚPLICAS (pág. 35-36)
1- PALAVRAS. Essa maneira de conseguir as coisas, usando súplicas, leva a descobrir a função das palavras. Essa função às vezes é esquecida, por causa da idéia de se achar que o conhecimento precede a linguagem. Falar é o primeiro instrumento para se atingir um objetivo e também o início do conhecimento. Na criança, todo tipo de emissão de sons ou de gestos está diretamente ligado a alguma necessidade. Após um período de desenvolvimento, tal nexo pode resumir-se no famoso “Abre-te Sésamo”. E o encantamento, pelo fato de aparecer a coisa nomeada, seguida de repetições para se verificar a validade, é a primeira aula prática de física. (Beth, é isso mesmo?). E a atitude de aguardar o efeito da palavra pronunciada confere-lhe o poder de expressão (?).
2- POESIA E TEATRO. O movimento da poesia ou de um recitativo evoca a presença, talvez quase a proporcione, da realidade nominada. Mundo mágico. A audição ou declamação reencarna o clima de expectativa significativo na vida da infância. Sherazade emenda uma história na outra e assim decorrem mil e uma noites. Com uma cadeia narrativa, sempre povoada de falsas promessas e ameaças, a contadora de histórias espera escapar viva. Um rico exemplo desse clima ou seu roteiro natural, tecido de medos, esperas, surpresas, ansiedades, pedidos, atendimentos e desfechos encontra-se na história mitológica de Orfeu e Eurídice. (cfr. Márcia Villas-Boas, OLIMPO, A SAGA DOS DEUSES, Edit. Siciliano).
3- CORPO E SENTIDOS. Uma boa narrativa mexe a com a imaginação do ouvinte ou leitor, provocando variadas sensações, repercutidas no corpo. Não se conhece suficientemente o quanto os nossos sentidos nos enganam. E palavras, expressivamente faladas, produzem fantasmas, almas do outro mundo, estrelinhas nos olhos, formigamentos, salivações, náuseas e outros efeitos de um clima passional. A palavra e as figurações abrem a cena, produzem o espetáculo e o silêncio final encarrega-se de deixar o ouvinte consigo mesmo. É o poder teatral vivenciado nos diversos palcos da vida. Expectativas provocando expectativas.
4- O REAL E A IMAGINAÇÃO, próximo tema, ainda no capítulo das SÚPLICAS.
5- Com algum acanhamento, comunico-lhes que no dia 24 do corrente mês, às 19 horas, espero encontrá-los Livraria ARGUMENTO do Leblon, à rua Dias Ferreira,417. Apareceu O BAZAR SORTIDO, olé, olé, olá! Viegas
6-
Quarto Capítulo (continuação)
SÚPLICAS (pág. 35-36)
1- PALAVRAS. Essa maneira de conseguir as coisas, usando súplicas, leva a descobrir a função das palavras. Essa função às vezes é esquecida, por causa da idéia de se achar que o conhecimento precede a linguagem. Falar é o primeiro instrumento para se atingir um objetivo e também o início do conhecimento. Na criança, todo tipo de emissão de sons ou de gestos está diretamente ligado a alguma necessidade. Após um período de desenvolvimento, tal nexo pode resumir-se no famoso “Abre-te Sésamo”. E o encantamento, pelo fato de aparecer a coisa nomeada, seguida de repetições para se verificar a validade, é a primeira aula prática de física. (Beth, é isso mesmo?). E a atitude de aguardar o efeito da palavra pronunciada confere-lhe o poder de expressão (?).
2- POESIA E TEATRO. O movimento da poesia ou de um recitativo evoca a presença, talvez quase a proporcione, da realidade nominada. Mundo mágico. A audição ou declamação reencarna o clima de expectativa significativo na vida da infância. Sherazade emenda uma história na outra e assim decorrem mil e uma noites. Com uma cadeia narrativa, sempre povoada de falsas promessas e ameaças, a contadora de histórias espera escapar viva. Um rico exemplo desse clima ou seu roteiro natural, tecido de medos, esperas, surpresas, ansiedades, pedidos, atendimentos e desfechos encontra-se na história mitológica de Orfeu e Eurídice. (cfr. Márcia Villas-Boas, OLIMPO, A SAGA DOS DEUSES, Edit. Siciliano).
3- CORPO E SENTIDOS. Uma boa narrativa mexe a com a imaginação do ouvinte ou leitor, provocando variadas sensações, repercutidas no corpo. Não se conhece suficientemente o quanto os nossos sentidos nos enganam. E palavras, expressivamente faladas, produzem fantasmas, almas do outro mundo, estrelinhas nos olhos, formigamentos, salivações, náuseas e outros efeitos de um clima passional. A palavra e as figurações abrem a cena, produzem o espetáculo e o silêncio final encarrega-se de deixar o ouvinte consigo mesmo. É o poder teatral vivenciado nos diversos palcos da vida. Expectativas provocando expectativas.
4- O REAL E A IMAGINAÇÃO, próximo tema, ainda no capítulo das SÚPLICAS.
5- Com algum acanhamento, comunico-lhes que no dia 24 do corrente mês, às 19 horas, espero encontrá-los Livraria ARGUMENTO do Leblon, à rua Dias Ferreira,417. Apareceu O BAZAR SORTIDO, olé, olé, olá! Viegas
6-
domingo, 2 de janeiro de 2011
Meditações XX
MEDITAÇÕES-XX-PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
Quarto Capítulo (continuação)
SÚPLICAS (pág. 35)
1- Saber pedir é o primeiro conhecimento. E a linguagem é exatamente o instrumento de ação mais antigo. O choro, o grito ou ganido, esse poder da criança, que atinge distâncias sem intermediação, é o começo.
2- O aprendizado do querer é a persuasão. Reconhecer, sorrir e dar nome é quase sempre a condição para se obter algo. A cortesia é uma arma que precedeu o arco e a flecha.
3- A capacidade de nominar está misturada com os poderes físicos. Nós conversamos com as coisas. Nunca se vai entender plenamente que a linguagem é a primeira tentativa de conhecer ou mudar seja lá o que for. E a condição inevitável de chamar pelo nome, antes de conhecer, pode explicar os rodeios para se alcançar o saber.
4- Nós falamos e contamos, aos outros e a nós mesmos. O processo de é inicialmente um discurso que perpassa até mesmo o sonho.
5- É digna de nota a prioridade das palavras em relação ao ato de pensar. Isso seria quase inacreditável, se não se entendesse que a criança tagarela naturalmente, sem saber o que está dizendo. Admira-se o diálogo entre mãe e filho, quando se descobre que a criança devolve vocábulos como bolas, parecendo que há entendimento mútuo. Essa maneira de repetir ecoando ou papaguear é o primeiro significado da linguagem. E sempre será assim?
6- Essa ressonância humana se transforma em música e, por outra parte, a música das palavras se desdobra em magia, pela necessidade de invocar os gênios familiares portadores de brinquedos e frutas, que abrem portas e janelas e protegem o uso das escadas.
7- Quais são as conseqüências desse sistema ou método? Vamos deixar o assunto para o próximo encontro. Quando?
Quarto Capítulo (continuação)
SÚPLICAS (pág. 35)
1- Saber pedir é o primeiro conhecimento. E a linguagem é exatamente o instrumento de ação mais antigo. O choro, o grito ou ganido, esse poder da criança, que atinge distâncias sem intermediação, é o começo.
2- O aprendizado do querer é a persuasão. Reconhecer, sorrir e dar nome é quase sempre a condição para se obter algo. A cortesia é uma arma que precedeu o arco e a flecha.
3- A capacidade de nominar está misturada com os poderes físicos. Nós conversamos com as coisas. Nunca se vai entender plenamente que a linguagem é a primeira tentativa de conhecer ou mudar seja lá o que for. E a condição inevitável de chamar pelo nome, antes de conhecer, pode explicar os rodeios para se alcançar o saber.
4- Nós falamos e contamos, aos outros e a nós mesmos. O processo de é inicialmente um discurso que perpassa até mesmo o sonho.
5- É digna de nota a prioridade das palavras em relação ao ato de pensar. Isso seria quase inacreditável, se não se entendesse que a criança tagarela naturalmente, sem saber o que está dizendo. Admira-se o diálogo entre mãe e filho, quando se descobre que a criança devolve vocábulos como bolas, parecendo que há entendimento mútuo. Essa maneira de repetir ecoando ou papaguear é o primeiro significado da linguagem. E sempre será assim?
6- Essa ressonância humana se transforma em música e, por outra parte, a música das palavras se desdobra em magia, pela necessidade de invocar os gênios familiares portadores de brinquedos e frutas, que abrem portas e janelas e protegem o uso das escadas.
7- Quais são as conseqüências desse sistema ou método? Vamos deixar o assunto para o próximo encontro. Quando?
"Será prioridade a luta pela qualidade da Educação" "",...
" Mas só existirá ensino de qualidade se os Professores forem tratados como as verdadeiras autoridades da Educação.... "
Que as Previsões e Profecias de nossa Presidenta se concretizem !
Que as Previsões e Profecias de nossa Presidenta se concretizem !
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