MEDITAÇÕES-XXX-PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
SÉTIMO CAPÍTULO – O MEDO (CONT. págs. 49-50)
1- Outros preliminares curiosos. Aquecimento. – Na tradição bíblica já se dizia que a PALAVRA tem um poder de vida e de morte. Há idiomas ricos e pobres em palavras. Alguns dispõem apenas de termos opostos (AMOR x ÓDIO) sem nuances intermediárias. Em português, veja quantas aproximações, sem identificação total, se pode fazer do verbete GÊNIO: mago, mágico, espertalhão, finório, artista, ilusionista, talentoso, ardiloso, sagaz, astuto, ladino, capcioso, prestidigitador e outros. Por outro lado, algumas palavras desafiam uma conotação exata e peculiar no uso quotidiano. São permutadas com facilidade. Estamos lutando dom os termos AFETO, EMOÇAO E SENTIMENTO... Outras curiosidades relativas ao nosso capítulo: David significa querido; melequé, Rei; Kinorr (dedilhar digitar, dedo, dígito) a Harpa ou Lira pode conseguir algum efeito terapêutico. Davi d já praticava a musicoterapia.
2- Observei uma c onversa de criança amedrontada. Viam-se os efeitos, mas não as causas. A menina me confessou que tinha medo do movimento das sombras de árvores projetado pela iluminação de rua. Estava ciente de que se tratava de sombra, porém tinha medo. E com ele se encontrava a cada entardecer. Foi necessário trocá-la de quarto. Não se pode afirmar precipitadamente que a criança imagina alguma forma humana escondida em cada coisa. (NB. Digressão sob re animismo). Talvez não veja nada. As narrações de gênios e pessoas habilidosas (lutins) são o início de um remédio contra o medo sem objeto ameaçador. A arte de David começou dessa maneira.
3- Não é fácil temer (respeitar) por motivos racionais. Ainda que seja estranho, se não se começa pelo medo, forma-se apenas uma ideia de temor (respeito), quase sem objeto (matéria). O ódio começa pela tristeza e para amar é preciso estar feliz. Essa é a ordem dos afetos , de baixo para cima, sem descida. Como não se chega a amar conforme o desejado, também não se tem medo somente por obrigação. É até possível que o que o verdadeiro medo seja distinto das razões que se lhe atribuem. Talvez seja por isso que somente quando o medo é superado é que ele pode ser incorporado ao temor (reverencial),ao respeito ou até à admiração. No estado de paixão, decorrente do temor (reverencial) manifesta-se a coragem. O conceito de paixão, aqui mencionado, é muito importante para o nosso tema. ( NB. Origens do fanatismo) Uma menina ao folhear um álbum de caçadas viu a figura de um lobo, sem sentir medo algum. Mas, depois de virar a página, ausente a figura do lobo, o medo o transformou num monstro indescritível e que afinal não era nada. Soube que um naturalista, no SIAM, viu um gato enorme pulando. Era um tigre. E o naturalista teve medo só depois de refletir, ou seja, depois da descrição que fez da aventura, para si ou para outros. É o que acontece com freqüência nos perigos, sobretudo quando a troca de sinais não provoca o medo epidêmico (?). E por outro lado um canto religioso pode espantar o medo, no mais terrível perigo, como se diz que aconteceu no TITANIC. Não sei até onde pode ir o poder heróico, mas sempre o medo é mais importante para o homem do que o perigo. Pode-se cantar marchando para a guerra ou para o martírio. O que acontece na própria dor não muda o acontecimento, pois as marcas da dor desaparecem rapidamente. De acordo com minhas conjecturas, o momento das catástrofes que nos aniquilam não é objeto nem de temor, nem de medo, nem mesmo de lembrança, se não permanecem as provas.
4. Continuaremos com medo ou temor na próxima Terça. Viegas
sábado, 16 de abril de 2011
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