MEDITAÇÕES-XX-PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
Quarto Capítulo (continuação)
SÚPLICAS (pág. 35)
1- Saber pedir é o primeiro conhecimento. E a linguagem é exatamente o instrumento de ação mais antigo. O choro, o grito ou ganido, esse poder da criança, que atinge distâncias sem intermediação, é o começo.
2- O aprendizado do querer é a persuasão. Reconhecer, sorrir e dar nome é quase sempre a condição para se obter algo. A cortesia é uma arma que precedeu o arco e a flecha.
3- A capacidade de nominar está misturada com os poderes físicos. Nós conversamos com as coisas. Nunca se vai entender plenamente que a linguagem é a primeira tentativa de conhecer ou mudar seja lá o que for. E a condição inevitável de chamar pelo nome, antes de conhecer, pode explicar os rodeios para se alcançar o saber.
4- Nós falamos e contamos, aos outros e a nós mesmos. O processo de é inicialmente um discurso que perpassa até mesmo o sonho.
5- É digna de nota a prioridade das palavras em relação ao ato de pensar. Isso seria quase inacreditável, se não se entendesse que a criança tagarela naturalmente, sem saber o que está dizendo. Admira-se o diálogo entre mãe e filho, quando se descobre que a criança devolve vocábulos como bolas, parecendo que há entendimento mútuo. Essa maneira de repetir ecoando ou papaguear é o primeiro significado da linguagem. E sempre será assim?
6- Essa ressonância humana se transforma em música e, por outra parte, a música das palavras se desdobra em magia, pela necessidade de invocar os gênios familiares portadores de brinquedos e frutas, que abrem portas e janelas e protegem o uso das escadas.
7- Quais são as conseqüências desse sistema ou método? Vamos deixar o assunto para o próximo encontro. Quando?
domingo, 2 de janeiro de 2011
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