domingo, 10 de abril de 2011

MEDITAÇÕES XXIX - MEDO

MEDITAÇÕES-XXIX-PRIMEIRO LIVRO-ALADIM
SÉTIMO CAPÍTULO – O MEDO (págs: 48-49)
1- A situação mágica deixa consequências. Na infância, as palavras comandam o aparecimento dos objetos e dos servidores. E também na vida dos adultos elas operam milagres. Por causa de termos surgem guerras. A imaginação triunfa e acaba em oposições, passando da realidade da miséria à riqueza dos tronos imperiais. Sabe-se, todavia, que os deuses, por mais terrificantes que o sejam não aparecem nunca. É o invisível que nos conduz. A espécie de inquietação que se experimenta no meio de uma floresta se alimenta de silêncio e aumenta com uma paz que não acalma. Se for possível, é necessário descobrir a verdade da imaginação que, por sua vez, é nada. Atrás da visão (vision n.b.), situa-se esse enigma que é só visão. Miragens sobre miragens. Quando sinto um suposto assaltante atrás da porta, eu ouço o seu respirar pelo buraco da fechadura. Mas esse respiro é o meu. Contudo, o ladrão que não escuto é o mais perigoso. Já se dizia que o desconhecido amedronta.
2- A emoção está presente. Afirma-se um pouco levianamente que o apalpar não engana. Talvez isso se possa dizer do tato voluntário. O toque da emoção é um falso testemunho. O que é a emoção? Em resumo é uma preparação do corpo humano, portanto um modo de agir que se inicia na expectativa de alguma coisa. Parece com ensaio. São movimentos que seriam feitos se o objeto esperado estivesse presente. (N.B. O pedestre que fala e gesticula sozinho). Mas o que caracteriza a emoção é o próprio despertar ou uma espécie de alarme de todas as nossas funções, talvez recordando um abalo precedente, já experimentado ou apenas imaginado. E esse tremor ou susto deriva frequentemente de uma pequena queda. Pode ter sido apenas um dedo dormente ao se acordar de um sono em posição de mau jeito. O abalo inicial, de origens diversas, irradia-se pelos tecidos nervosos do corpo todo, provocando uma alerta geral, sem nem mesmo saber para quê. Sentinelas de prontidão. O aumento dessa perturbação, da qual nem sempre se sabe o motivo, configura o próprio medo. O provérbio ensina que a alegria provoca medo. De fato, todo movimento de origem involuntária, provoca medo. E como se tem medo do medo, pode-se afirmar que a emoção pura é medo. (NB. Emê). E o que fala a neurologia contemporânea?
3- Mais tarde na vida, essa ingenuidade pode transformar-se em habilidade. A força máscula pode fazer o medo virar cólera. Mas sem dúvida a criança tem medo do medo. Ela percebe que ocorre em determinados momentos e lugares. E ai o objeto que amedronta não tem função quase nenhuma. Sem percepção de objeto terrificante, o medo caminha sozinho com seu medo. Isso acontece com crianças e adultos! É por isso que se pode dizer que há medo dos deuses. Eles são invisíveis. Isso faz recordar a vertigem e, em oposição, as melhores cenas dramáticas. É possível garantir (assurer) a inocência da infância? Alain acha que isso é nosso dever.
4-Favor trazer cópias do texto. Vamos continuar com medo. Viegas

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