sábado, 16 de abril de 2011

AÇÕES XXX-MEDO

MEDITAÇÕES-XXX-PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
SÉTIMO CAPÍTULO – O MEDO (CONT. págs. 49-50)
1- Outros preliminares curiosos. Aquecimento. – Na tradição bíblica já se dizia que a PALAVRA tem um poder de vida e de morte. Há idiomas ricos e pobres em palavras. Alguns dispõem apenas de termos opostos (AMOR x ÓDIO) sem nuances intermediárias. Em português, veja quantas aproximações, sem identificação total, se pode fazer do verbete GÊNIO: mago, mágico, espertalhão, finório, artista, ilusionista, talentoso, ardiloso, sagaz, astuto, ladino, capcioso, prestidigitador e outros. Por outro lado, algumas palavras desafiam uma conotação exata e peculiar no uso quotidiano. São permutadas com facilidade. Estamos lutando dom os termos AFETO, EMOÇAO E SENTIMENTO... Outras curiosidades relativas ao nosso capítulo: David significa querido; melequé, Rei; Kinorr (dedilhar digitar, dedo, dígito) a Harpa ou Lira pode conseguir algum efeito terapêutico. Davi d já praticava a musicoterapia.
2- Observei uma c onversa de criança amedrontada. Viam-se os efeitos, mas não as causas. A menina me confessou que tinha medo do movimento das sombras de árvores projetado pela iluminação de rua. Estava ciente de que se tratava de sombra, porém tinha medo. E com ele se encontrava a cada entardecer. Foi necessário trocá-la de quarto. Não se pode afirmar precipitadamente que a criança imagina alguma forma humana escondida em cada coisa. (NB. Digressão sob re animismo). Talvez não veja nada. As narrações de gênios e pessoas habilidosas (lutins) são o início de um remédio contra o medo sem objeto ameaçador. A arte de David começou dessa maneira.
3- Não é fácil temer (respeitar) por motivos racionais. Ainda que seja estranho, se não se começa pelo medo, forma-se apenas uma ideia de temor (respeito), quase sem objeto (matéria). O ódio começa pela tristeza e para amar é preciso estar feliz. Essa é a ordem dos afetos , de baixo para cima, sem descida. Como não se chega a amar conforme o desejado, também não se tem medo somente por obrigação. É até possível que o que o verdadeiro medo seja distinto das razões que se lhe atribuem. Talvez seja por isso que somente quando o medo é superado é que ele pode ser incorporado ao temor (reverencial),ao respeito ou até à admiração. No estado de paixão, decorrente do temor (reverencial) manifesta-se a coragem. O conceito de paixão, aqui mencionado, é muito importante para o nosso tema. ( NB. Origens do fanatismo) Uma menina ao folhear um álbum de caçadas viu a figura de um lobo, sem sentir medo algum. Mas, depois de virar a página, ausente a figura do lobo, o medo o transformou num monstro indescritível e que afinal não era nada. Soube que um naturalista, no SIAM, viu um gato enorme pulando. Era um tigre. E o naturalista teve medo só depois de refletir, ou seja, depois da descrição que fez da aventura, para si ou para outros. É o que acontece com freqüência nos perigos, sobretudo quando a troca de sinais não provoca o medo epidêmico (?). E por outro lado um canto religioso pode espantar o medo, no mais terrível perigo, como se diz que aconteceu no TITANIC. Não sei até onde pode ir o poder heróico, mas sempre o medo é mais importante para o homem do que o perigo. Pode-se cantar marchando para a guerra ou para o martírio. O que acontece na própria dor não muda o acontecimento, pois as marcas da dor desaparecem rapidamente. De acordo com minhas conjecturas, o momento das catástrofes que nos aniquilam não é objeto nem de temor, nem de medo, nem mesmo de lembrança, se não permanecem as provas.
4. Continuaremos com medo ou temor na próxima Terça. Viegas

sexta-feira, 15 de abril de 2011

MEDITAÇÕES S/N (A)

MEDITAÇÕES -S/N –(A)
Para o capítulo sétimo (O MEDO)- Informações.
1-SIAM, a região citada no capítulo, é hoje a famosa TAILÂNDIA.
2-TITANIC – Na noite do dia 14/07/1912 (há 99 anos) o então maior navio do mundo afundou-se em sua primeira viagem. Havia 3 547 pessoas a bordo. Morreram 1 523.
Na ocasião a orquestra do navio teria executado, entre outras, as seguintes músicas:
My heart will go on; Another Day; If walls could talk; In every age; Sorry for love.
Nessa data Alain (1 868-1 1951) estava com 44 anos de idade.
3-IBYCOS foi um poeta lírico do século VI a.C. Poucos escritos restaram de sua obra, entre os quais, Alain cita o caso dos grous voando,quando foi assaltado por bandidos.
4-HONORÉ DE BALZAC (1 799- 1 850) escreveu muitos livros. Alain cita LE MÉDICIN DE CAMPAGNE, onde se narra a história da CORCUNDA CORAJOSA. “Ela tinha medo, e quando alguém tem medo , não se importa com nenhuma outra coisa.”
5- Outros nomes lembrados:
- FEDRO, livro de Platão (428-347 a.C)
E os seguintes autores de fábulas:
- ESOPO (Século IV a.C.); -FEDRO (15 a.C.-50 d.C.) e LA FONTAINE – (1 621–1 695).
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domingo, 10 de abril de 2011

MEDITAÇÕES XXIX - MEDO

MEDITAÇÕES-XXIX-PRIMEIRO LIVRO-ALADIM
SÉTIMO CAPÍTULO – O MEDO (págs: 48-49)
1- A situação mágica deixa consequências. Na infância, as palavras comandam o aparecimento dos objetos e dos servidores. E também na vida dos adultos elas operam milagres. Por causa de termos surgem guerras. A imaginação triunfa e acaba em oposições, passando da realidade da miséria à riqueza dos tronos imperiais. Sabe-se, todavia, que os deuses, por mais terrificantes que o sejam não aparecem nunca. É o invisível que nos conduz. A espécie de inquietação que se experimenta no meio de uma floresta se alimenta de silêncio e aumenta com uma paz que não acalma. Se for possível, é necessário descobrir a verdade da imaginação que, por sua vez, é nada. Atrás da visão (vision n.b.), situa-se esse enigma que é só visão. Miragens sobre miragens. Quando sinto um suposto assaltante atrás da porta, eu ouço o seu respirar pelo buraco da fechadura. Mas esse respiro é o meu. Contudo, o ladrão que não escuto é o mais perigoso. Já se dizia que o desconhecido amedronta.
2- A emoção está presente. Afirma-se um pouco levianamente que o apalpar não engana. Talvez isso se possa dizer do tato voluntário. O toque da emoção é um falso testemunho. O que é a emoção? Em resumo é uma preparação do corpo humano, portanto um modo de agir que se inicia na expectativa de alguma coisa. Parece com ensaio. São movimentos que seriam feitos se o objeto esperado estivesse presente. (N.B. O pedestre que fala e gesticula sozinho). Mas o que caracteriza a emoção é o próprio despertar ou uma espécie de alarme de todas as nossas funções, talvez recordando um abalo precedente, já experimentado ou apenas imaginado. E esse tremor ou susto deriva frequentemente de uma pequena queda. Pode ter sido apenas um dedo dormente ao se acordar de um sono em posição de mau jeito. O abalo inicial, de origens diversas, irradia-se pelos tecidos nervosos do corpo todo, provocando uma alerta geral, sem nem mesmo saber para quê. Sentinelas de prontidão. O aumento dessa perturbação, da qual nem sempre se sabe o motivo, configura o próprio medo. O provérbio ensina que a alegria provoca medo. De fato, todo movimento de origem involuntária, provoca medo. E como se tem medo do medo, pode-se afirmar que a emoção pura é medo. (NB. Emê). E o que fala a neurologia contemporânea?
3- Mais tarde na vida, essa ingenuidade pode transformar-se em habilidade. A força máscula pode fazer o medo virar cólera. Mas sem dúvida a criança tem medo do medo. Ela percebe que ocorre em determinados momentos e lugares. E ai o objeto que amedronta não tem função quase nenhuma. Sem percepção de objeto terrificante, o medo caminha sozinho com seu medo. Isso acontece com crianças e adultos! É por isso que se pode dizer que há medo dos deuses. Eles são invisíveis. Isso faz recordar a vertigem e, em oposição, as melhores cenas dramáticas. É possível garantir (assurer) a inocência da infância? Alain acha que isso é nosso dever.
4-Favor trazer cópias do texto. Vamos continuar com medo. Viegas