sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

MEDITAÇÕES XXV(A) – PRIMEIRO LIVRO – ALADIN
QUINTO CAPÍTULO (pág. 42 a 44)
TRABALHO (cont.)
1-Comecei a entender a palavra visões. Vulgarmente entende-se que se trata de coisas enganadoras e enganosas. Mas ninguém normalmente deixa de trabalhar por causa de fantasias, como o sonho de encontrar um tesouro no quintal. O perigo acontece é com o trabalho de estudante aplicado que às vezes não passa de um visionário inteligente. Como lembrou Maine de Biran, o geômetra vidente se delicia com o espetáculo de seus desenhos. Ele navega em intuições e evidências. Preocupa-se com a verdade?
E como se comporta um geômetra cego? Ele é que é o verdadeiro? Por quê? Ele não sustenta nada. Faz o que pensa. Constrói e desconstrói. O triângulo não é um segredo que nos desafie, ainda que o estudante aplicado não esteja impedido de desenhar o olho de Deus no centro dele. Estudar triângulo seria trabalho ou imitação? Fazer deduções corretamente ou não no estudo e medição de ângulos é também um discurso, que compreende afirmações e negações (N.B. Ensino de geometria a deficientes visuais). A diferença entre geômetra cego ou deficiente não quer dizer nada enquanto a geometria permanecer geometria, que apenas projeta mundos possíveis.
Ma se se quiser empurrar a geometria, via mecânica ou física, coisificando suas elucubrações, usam-se as mãos. O olho apenas idealista não realiza nada. Essa ideia é difícil? De qualquer modo agradeço a Maine de Biran que me ajudou a entende os visionários, esses sonhadores de mundos, sempre aguardando algum milagre, isto é, um tesouro sem trabalho. Esses visionários ficam procurando uma prova da existência do mundo, sem jamais encontrá-la. Eles não sabem o que é a existência, só pensam no banquete episcopal.
2- A condição da criança é mesma, porém mais natural. Contudo a experiência infantil é o início e origem de nossos erros. Isso é o que pretendo explicar. A criança ignora o trabalho. (NB. Recordar os estados da mente: certeza, opinião...). As brincadeiras são esforços sem resultados duráveis, como escrever na areia. Escreve-se, apaga-se, repete-se a mesma coisa e vai-se por ai. Mas o trabalho visa um resultado duradouro, enquanto o jogo infantil é apenas ficção e principalmente imitação de profissões. ( Brincar de casinha,de boneca,de médico, de aplicar injeção...). Os brinquedos não mexem com o mundo, ficam apenas em palavras e mímicas. E quem não mexe com o mundo, ignora-o. Se não se aplicar ao mundo, de acordo com uma mecânica cega, as leis do trabalho, nunca se saberá quanto custa transformar um pântano numa roça de milho. Os contos privilegiam a narração de sucessos obtidos por suplicas ou milagres, onde nada se adquire por trabalho. É o reino do anjo Ariel, da cultura cabalística, que nos ajuda a agradecer a Deus os bens recebidos, facilita-nos a descoberta de tesouros ocultos e nos sonhos revela-nos os segredos do amor, da natureza e a localizar objetos perdidos. Mas o espírito ou estro, deus dos deuses, comportando-se como Ariel, engana-se, pois acaba não descobrindo coisa alguma. De onde vem o alimento? Qual a razão do aumento do preço do pão? Quem cuida da segurança alimentar? Eu me alimento, sabendo ou não, do trabalho dos seres humanos. Em quase todas as coisas nós nos comportamos como visionários, até inocentes. O geômetra visionário se alimenta de triângulos, enquanto outros tomam o café da manhã, como se fosse um milagre.
3- Próximo: BURGUESIA

MEDITAÇÕES XXV(A) – PRIMEIRO LIVRO – ALADIN
QUINTO CAPÍTULO (pág. 42 a 44)
TRABALHO (cont.)
1-Comecei a entender a palavra visões. Vulgarmente entende-se que se trata de coisas enganadoras e enganosas. Mas ninguém normalmente deixa de trabalhar por causa de fantasias, como o sonho de encontrar um tesouro no quintal. O perigo acontece é com o trabalho de estudante aplicado que às vezes não passa de um visionário inteligente. Como lembrou Maine de Biran, o geômetra vidente se delicia com o espetáculo de seus desenhos. Ele navega em intuições e evidências. Preocupa-se com a verdade?
E como se comporta um geômetra cego? Ele é que é o verdadeiro? Por quê? Ele não sustenta nada. Faz o que pensa. Constrói e desconstrói. O triângulo não é um segredo que nos desafie, ainda que o estudante aplicado não esteja impedido de desenhar o olho de Deus no centro dele. Estudar triângulo seria trabalho ou imitação? Fazer deduções corretamente ou não no estudo e medição de ângulos é também um discurso, que compreende afirmações e negações (N.B. Ensino de geometria a deficientes visuais). A diferença entre geômetra cego ou deficiente não quer dizer nada enquanto a geometria permanecer geometria, que apenas projeta mundos possíveis.
Ma se se quiser empurrar a geometria, via mecânica ou física, coisificando suas elucubrações, usam-se as mãos. O olho apenas idealista não realiza nada. Essa ideia é difícil? De qualquer modo agradeço a Maine de Biran que me ajudou a entende os visionários, esses sonhadores de mundos, sempre aguardando algum milagre, isto é, um tesouro sem trabalho. Esses visionários ficam procurando uma prova da existência do mundo, sem jamais encontrá-la. Eles não sabem o que é a existência, só pensam no banquete episcopal.
2- A condição da criança é mesma, porém mais natural. Contudo a experiência infantil é o início e origem de nossos erros. Isso é o que pretendo explicar. A criança ignora o trabalho. (NB. Recordar os estados da mente: certeza, opinião...). As brincadeiras são esforços sem resultados duráveis, como escrever na areia. Escreve-se, apaga-se, repete-se a mesma coisa e vai-se por ai. Mas o trabalho visa um resultado duradouro, enquanto o jogo infantil é apenas ficção e principalmente imitação de profissões. ( Brincar de casinha,de boneca,de médico, de aplicar injeção...). Os brinquedos não mexem com o mundo, ficam apenas em palavras e mímicas. E quem não mexe com o mundo, ignora-o. Se não se aplicar ao mundo, de acordo com uma mecânica cega, as leis do trabalho, nunca se saberá quanto custa transformar um pântano numa roça de milho. Os contos privilegiam a narração de sucessos obtidos por suplicas ou milagres, onde nada se adquire por trabalho. É o reino do anjo Ariel, da cultura cabalística, que nos ajuda a agradecer a Deus os bens recebidos, facilita-nos a descoberta de tesouros ocultos e nos sonhos revela-nos os segredos do amor, da natureza e a localizar objetos perdidos. Mas o espírito ou estro, deus dos deuses, comportando-se como Ariel, engana-se, pois acaba não descobrindo coisa alguma. De onde vem o alimento? Qual a razão do aumento do preço do pão? Quem cuida da segurança alimentar? Eu me alimento, sabendo ou não, do trabalho dos seres humanos. Em quase todas as coisas nós nos comportamos como visionários, até inocentes. O geômetra visionário se alimenta de triângulos, enquanto outros tomam o café da manhã, como se fosse um milagre.
3- Próximo: BURGUESIA

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