domingo, 27 de março de 2011

MEDITAÇÕES XXVIII

MEDITAÇÕES-XXVIII-PRIMEIRO LIVRO-ALADIM
SEXTO CAPÍTULO - BURGUESIA (págs. 46-48)


1- INFORMAÇÕES ÚTEIS.
– François-Marie Arouet VOLTAIRE (1694-1778). Relacionou-se com Berkeley, Leibniz e outros pensadores. Escreveu vários romances bem humorados nos quais, segundo Will Durant (1855-1981), “... os heróis são idéias; os vilões, supersticiosos; e os acontecimentos, pensamentos”. Um dos romances é CANDIDE, um rapaz otimista, filho de barão, um pouco ingênuo. Seu preceptor era o Dr. PANGLOSS que, segundo alguns, seria uma caricatura de Leibniz (1646-1716), cujo otimismo e utopia de conciliação universal são ridicularizados. Na época da publicação a autoria era atribuída a Dr. Ralph. Dizem que Voltaire sempre negou a paternidade da comédia.
-PANGLOSS. A palavra inventada pode ser assim decomposta: PAN, PANG, GLOSS e LOSS. (NB. Voltaire morou algum tempo na Inglaterra). Pérolas de PANGLOOS que negava o conceito de causalidade: As pedras foram criadas para edificar castelos; o nariz foi criado para sustentar os óculos; as pernas foram criadas para segurar as calças. No final do romance, depois de um longo discurso sobre história pronunciado por Pangloss,, fecha-se o livro com a célebre frase de CÂNDIDO... “mas agora vamos cuidar da horta”. Se não há couve-flor, repolho e alface, como fazer uma salada?
- JEAN LÉON JAURÈS (1859-1914). Político socialista, pacifista, e conciliador. Morreu assassinado em Paris por um adepto da guerra contra a Alemanha
. – EMMANUEL KANT (1724-1804).
– GOTTFRIED(?)LEIBNIZ (1646-1716).
2- Uma organização de trabalhos é sempre envolvida por contratos, que comportam uma negociação de cláusulas. O burguês, hoje empregador, ocupa o lado mais importante, ficando o proletário, hoje o empregado, em segundo lugar. Antes se falava mais em burguês versus proletário. Em caso de demanda, se diz hoje, reclamação trabalhista, restringem-se a imaginação e o encanto, quando o juiz além da letra do contato analisa as condições de execução do trabalho. Contudo, muitas vezes prevalece o discurso da conciliação, fundamentado em herança infantil que privilegia a dialética dos conceitos, característica da burguesia. Esse procedimento de acordos ou conciliação tem algum parentesco com o idealismo. É a fuga da realidade, condições reais de trabalho, refugiando-se no discurso. E o perigo desse discurso é a contradição. A conciliação encobre essa manobra. As utopias, como se nota no pensamento do professor (?) Jaurès, líder socialista, consistem justamente na tentativa de acomodar frases. É verdade ou não que um acordo social, por contrato explícito inteiro.o, seja contrário ao desenvolvimento dos indivíduos segundo suas possibilidades? E o filósofo (?) Jaurès, na ironia de Alain, diz que não se é forçado a negar um lado da questão quando se afirma o outro.e que ele prova essa façanha afirmando ou aceitando os dois lados. É lamentável esquecer o curso dos acontecimentos para salvar um palavreado. O pão desses senhores é a gramática... E Alain acaba colocando no mesmo balaio o socialista-filósofo Jaurès, as divagações do Dr. Pangloss e o ilustre Leibniz, este o mais habilidoso dos conciliadores. A criança pára de gritar quando ouve uma canção e melhor ainda quando lhe dão um banho. Supõe-se por isso que a conexão aparente do palavreado, por afirmações, negações e distinções encobrem um encadeamento que enforca, aperta os pulmões e oprime o corpo inteiro. É como se a verdadeira causa da mamadeira fossem gritos e choros. A puerilidade é sempre mais eficiente e não deixa de ser utilizada, mesmo por gente importante. Kant(1724-18040) afirmou que um acordo de palavras, por mais perfeito que o seja, não atinge de modo algum, uma arrumação de coisas ou objetos. Uma reunião, recheada das melhores palavras, não muda a vida concreta de ninguém.
3- O povo, de modo geral (NB. Tenho muito medo de falar em nome do povo...), percebe a vacuidade dos discursos? Considera o palavrório de patrões, autoridades e políticos, como tagarelice de marmanjos, alimentados pelo trabalho dos operários? Ou será que o povo acha que esse jogo é remontagem de fatos que ultrapassam humores e não vai à sua fonte que são casa, comida, luz e outros benefícios? É necessário que as palavras produzam coisas e assim seria a ontologia( NB. Ciência do ser ou ente ). Daí é que alguns pensadores teimosos criaram a ideia de uma dialética, que denominam com propriedade de materialista,segundo a qual os sistemas teológicos revelam um modo de viver e trabalhar. Alega-se que há um deus para cada profissão. Só que a ligação do trabalho com a crença é mais forte do que pensam os crentes. E porque o filósofo fala ingenuamente com palavras, ele vive de palavras, requer-se uma filosofia dos filósofos. Sempre se percebe que o inferior carrega o superior. Por isso, a verdade é que o materialismo sustenta o espírito. Saco vazio não pára em pé. Miolo mole não raciocina. A doutrina das religiões se evidencia na vida campestre. O deus TERMO ( palavra ou vocábulo) reina nos centros urbanos e seu rosto, sem rosto, aparece em recantos agrestes.
4- Próximo tema: O MEDO – Sétimo capítulo, dia 29./03/

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