PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
Segundo Capítulo (continuação)
COCANHA (pág.30)
3 – Nas lendas e mitos sobre um paraíso perdido, ou a idade do ouro, vivia-se no estado de inocência e ignorância. A saída desse mundo de delíciaS foi por alguma culpa. O que não deixa de ser verdadeiro, pois a criança escolhe ser adulto e não cessa de fazer essa escolha. É a dialética, movida pela eleição do mais difícil e a curiosidade. Há algo de trágico na criança que a torna má e ainda não sabe o que é esse estado de maldade. Ela mistura palavras, sinais e remexe as paixões como faz com a argila. Seria uma compulsão como se fosse fatalidade. Por isso o pecado original encontra-se por toda parte. Original no sentido em que ele é desejado antes de ser conhecido. Como se sabe muito bem, o que é pressentido é a verdadeira necessidade. Ainda que não alcance o procurado,a criança não o ignora nunca. Ela deixa cair o seu brinquedo e não consegue recuperá-lo. A criança é naturalmente um turbilhão de movimentos. Esse mundo polimorfo no seu conjunto ainda não é perigoso. O grande obstáculo é a proibição e o único pecado é a desobediência. Apenas isso. Ai começa a despontar um importante mito, que não envolve falta alguma. Qual é a função desse mito? Cessar aquela admiração por crenças que perderam seus objetos ou cujo objeto se transforma na ausência do mesmo. Isso é inteligível? Evaporam-se as crenças em provas que não demonstram mais coisa nenhuma. Essa é de fato a lembrança de um ser que envelhece. Próximo assunto: o trabalho e sua danação.
Viegas, hoje fã do ócio.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
MEDITAÇÕES XV
PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
Segundo Capítulo
COCANHA (pág. 29 a 32)
1- Cocanha me lembra Pasárgada, Maracangalha ou o Jardim do Éden. Trata-se de uma terra fictícia, localizada na Europa, datando da Idade Média. A ideia era que nesse lugar vivia-se sem trabalho e a natureza fornecia tudo que fosse necessário à vida. Lá corriam rios de leite, adornados por montanhas de chocolate e outras maravilhas. Muitas vezes procuramos muito longe o que está na frente de nossos olhos. Cocanha não se encontra fora da vista. É a infância. Não é uma existência imaginária. A criança encontra pequenas contrariedades que ela vence com gestos sedutores. Assim os obstáculos desaparecem ou são contornados. Em família vive-se um jogo, que dispensa vencedor.
2- Com muita certeza, pode-se dizer que a necessidade de alimentar-se, de abrigar-se, de dormir nos leva a conhecer outra penúria, isto é, constatar que o mundo não nos promete nada. Acredita-se que a criança não conheça outro obstáculo além do sentimento, que é principalmente de respeito e de amor. Essa primeira experiência que nos forma, com o tempo, vai deixando de ser verdadeira, e talvez nunca o tenha sido, desparecendo na medida em que se aproxima dos rios de leite. Houve um tempo em que a metáfora não era metáfora. E houve também um tempo em que a contextura humana envolvia totalmente a criança e a revestia de um modelo pronto (?). Não há caminho de volta. Sonha-se às vezes com uma Cocanha em algum lugar. O fato é que esse paraíso foi perdido. Mas finge-se um lamento. Não saberemos nunca suficientemente o quanto de fingimento existe nas ficções. Sobre isso os jogos podem ajudar-nos. (págs 29 a 30).
NB. Assunto próximo: INOCÊNCIA E IGNORÂNCIA (PÁG. 30 e ss.) Viegas.
Segundo Capítulo
COCANHA (pág. 29 a 32)
1- Cocanha me lembra Pasárgada, Maracangalha ou o Jardim do Éden. Trata-se de uma terra fictícia, localizada na Europa, datando da Idade Média. A ideia era que nesse lugar vivia-se sem trabalho e a natureza fornecia tudo que fosse necessário à vida. Lá corriam rios de leite, adornados por montanhas de chocolate e outras maravilhas. Muitas vezes procuramos muito longe o que está na frente de nossos olhos. Cocanha não se encontra fora da vista. É a infância. Não é uma existência imaginária. A criança encontra pequenas contrariedades que ela vence com gestos sedutores. Assim os obstáculos desaparecem ou são contornados. Em família vive-se um jogo, que dispensa vencedor.
2- Com muita certeza, pode-se dizer que a necessidade de alimentar-se, de abrigar-se, de dormir nos leva a conhecer outra penúria, isto é, constatar que o mundo não nos promete nada. Acredita-se que a criança não conheça outro obstáculo além do sentimento, que é principalmente de respeito e de amor. Essa primeira experiência que nos forma, com o tempo, vai deixando de ser verdadeira, e talvez nunca o tenha sido, desparecendo na medida em que se aproxima dos rios de leite. Houve um tempo em que a metáfora não era metáfora. E houve também um tempo em que a contextura humana envolvia totalmente a criança e a revestia de um modelo pronto (?). Não há caminho de volta. Sonha-se às vezes com uma Cocanha em algum lugar. O fato é que esse paraíso foi perdido. Mas finge-se um lamento. Não saberemos nunca suficientemente o quanto de fingimento existe nas ficções. Sobre isso os jogos podem ajudar-nos. (págs 29 a 30).
NB. Assunto próximo: INOCÊNCIA E IGNORÂNCIA (PÁG. 30 e ss.) Viegas.
sábado, 7 de agosto de 2010
MEDITAÇÕES XIV
PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
Primeiro Capítulo
ANTIGAMENTE (pág.24 a 28)
1- A idéia, repetindo, é uma ficção. Nada se percebe senão através de uma idéia. Ela é uma espécie de antecipação do conhecimento. O fato, em si mesmo, terminou quando aconteceu. Nenhuma ficção pode existir sem o homem, esse adulto que abriga uma criança, como lembrou Descartes. De acordo com a fábula dos gigantes, convém salientar que as idéias são formadas em nós e não são sinais inatos da mente. Por isso é que se pode afirmar que a nossa primeira experiência vital é encharcada de enganos, pois a mente procura e sustenta combinações diversas, que estão longe de ser a coisa em si. É o nosso condicionamento natural. É o imaginário que se despe totalmente da realidade de imaginário. Seria esse o nosso quotidiano? Várias pessoas negligenciaram esse percurso do ser humano. Vou abordar os erros e enganos dessas atitudes e espero também ai encontrar um núcleo de verdade. Mas se o leitor não participar desse espanto, jamais conseguirá pensar ou refletir sobre o que ele acha, pois talvez já saiba muito. Vamos abordar todas as manhas e confessá-las. Esse enredo, objeto principal do atual livro, encontra-se principalmente nos comportamentos mais ou menos voluntários observados nos atos religiosos. Os humanos têm medo de concluir as suas reflexões ou de seus pensamentos?
2- É possível descobrir as percepções ambíguas e enganosas? É possível demonstrar que o erro não é nada? Mas isso é pouco. Onde se situam o verdadeiro passado e a antiguidade bastante próxima no adulto. Mergulha-se num mar de erros verificáveis, uma experiência deslumbrante e sempre enganadora. Em outras palavras, uma espécie de iniciação solene na estrada do erro. Outro assunto seria refletir sobre a verdade dos sentimentos, que permanece totalmente inalterada. Se alguém descobre que a maldade deriva de algum indivíduo e não de causas exteriores, qual seria a consequência?Iria fortalecer a coragem para um estado de indignação? Para outros, o pensamento não reconhece nenhum mal além daquele do qual possa arrepender-se. Assim se processa o julgamento infantil, que é o nosso ancestral. Mas como a ideia falsa é conservada e superada, o esquecimento é a lei da infância. A recordação (souvenir) é nula, ainda que a memória seja fiel e sem culpa. Nosso real futuro é colocar diante de nós a nossa infância. Por isso é que talvez se possa afirmar que conhecer alguma coisa sem nenhum erro seja apenas desconhecer. O existir, as necessidades, o amor e a crença, desenharam imperiosamente o bem e o mal segundo o parecer do homem. O hábito de tudo obter através de súplicas e a paciência de esperar desenvolveram aptidões engenhosas, escoradas na coragem. Há uma criança em todo inventor, bem mais do que se acredita. A ambição cria o tirano e mais ainda um tirano do tirano. É deste modo o infantilismo ou infância na mente dos adultos. Talvez essa presença ainda seja mais acentuada do que pensou Descartes.
3- O autor deixa entender que pretende inventariar o passado infantil sempre próximo e atuante. Como todas as histórias, essa também é dialética. Essa dialética não está nas coisas em si, ela resulta da contínua reforma da maneira de pensar e das interrogações que não se calam. Como entender os “porquês” das crianças? As variações de perguntas revelam o despertar de novidades e assinalando o sentido de crescimento em direção do futuro. Essa dinâmica não é suficientemente lembrada.
4- É necessário descobrir a dialética da infância ou as etapas do esquecimento. O esquecimento é a substância dos sonhos e de certa maneira a forma do pensamento em todos os seus passos. Seria essa a hipótese de Platão? As produções úteis são as brincadeiras, as canções e principalmente as histórias ou contos sempre ouvidos como lendas. Mas é preciso tentar inserir algum tipo e ordem nesse material, sem necessidade de provas. As demonstrações podem melhorar a ordem.
5- A premissa maior é esse passado irrevogável, de onde fomos expulsos sem possibilidade de retorno, perda que não se pode senão lamentar. E o autor enumera as delícias do paraíso perdido ou da infância que não volta mais. Fui alimentado em rios de leite, mas isso não poderia durar sempre. Fui expulso do paraíso porque desejei permanecer lá para sempre e eu lamento essa punição, que é a minha riqueza própria. Edificam-se, em torno desse episódio, riquíssimas e constantes ficções. Até as subtilezas teológicas vão se explicar pela condição de uma infância amada, deplorada ou recusada. Quem não desejaria ser imortal? E se ficar comprovado que viver é morrer continuamente para alguma coisa? Vamos separar essa quantidade de sentimentos e morrer logo no instante agradável da primeira investigação (?). Viegas, empacotador de sugestões. Próximo assunto: COCAGNE, Segundo Capítulo (págs. 29 a 32).
Primeiro Capítulo
ANTIGAMENTE (pág.24 a 28)
1- A idéia, repetindo, é uma ficção. Nada se percebe senão através de uma idéia. Ela é uma espécie de antecipação do conhecimento. O fato, em si mesmo, terminou quando aconteceu. Nenhuma ficção pode existir sem o homem, esse adulto que abriga uma criança, como lembrou Descartes. De acordo com a fábula dos gigantes, convém salientar que as idéias são formadas em nós e não são sinais inatos da mente. Por isso é que se pode afirmar que a nossa primeira experiência vital é encharcada de enganos, pois a mente procura e sustenta combinações diversas, que estão longe de ser a coisa em si. É o nosso condicionamento natural. É o imaginário que se despe totalmente da realidade de imaginário. Seria esse o nosso quotidiano? Várias pessoas negligenciaram esse percurso do ser humano. Vou abordar os erros e enganos dessas atitudes e espero também ai encontrar um núcleo de verdade. Mas se o leitor não participar desse espanto, jamais conseguirá pensar ou refletir sobre o que ele acha, pois talvez já saiba muito. Vamos abordar todas as manhas e confessá-las. Esse enredo, objeto principal do atual livro, encontra-se principalmente nos comportamentos mais ou menos voluntários observados nos atos religiosos. Os humanos têm medo de concluir as suas reflexões ou de seus pensamentos?
2- É possível descobrir as percepções ambíguas e enganosas? É possível demonstrar que o erro não é nada? Mas isso é pouco. Onde se situam o verdadeiro passado e a antiguidade bastante próxima no adulto. Mergulha-se num mar de erros verificáveis, uma experiência deslumbrante e sempre enganadora. Em outras palavras, uma espécie de iniciação solene na estrada do erro. Outro assunto seria refletir sobre a verdade dos sentimentos, que permanece totalmente inalterada. Se alguém descobre que a maldade deriva de algum indivíduo e não de causas exteriores, qual seria a consequência?Iria fortalecer a coragem para um estado de indignação? Para outros, o pensamento não reconhece nenhum mal além daquele do qual possa arrepender-se. Assim se processa o julgamento infantil, que é o nosso ancestral. Mas como a ideia falsa é conservada e superada, o esquecimento é a lei da infância. A recordação (souvenir) é nula, ainda que a memória seja fiel e sem culpa. Nosso real futuro é colocar diante de nós a nossa infância. Por isso é que talvez se possa afirmar que conhecer alguma coisa sem nenhum erro seja apenas desconhecer. O existir, as necessidades, o amor e a crença, desenharam imperiosamente o bem e o mal segundo o parecer do homem. O hábito de tudo obter através de súplicas e a paciência de esperar desenvolveram aptidões engenhosas, escoradas na coragem. Há uma criança em todo inventor, bem mais do que se acredita. A ambição cria o tirano e mais ainda um tirano do tirano. É deste modo o infantilismo ou infância na mente dos adultos. Talvez essa presença ainda seja mais acentuada do que pensou Descartes.
3- O autor deixa entender que pretende inventariar o passado infantil sempre próximo e atuante. Como todas as histórias, essa também é dialética. Essa dialética não está nas coisas em si, ela resulta da contínua reforma da maneira de pensar e das interrogações que não se calam. Como entender os “porquês” das crianças? As variações de perguntas revelam o despertar de novidades e assinalando o sentido de crescimento em direção do futuro. Essa dinâmica não é suficientemente lembrada.
4- É necessário descobrir a dialética da infância ou as etapas do esquecimento. O esquecimento é a substância dos sonhos e de certa maneira a forma do pensamento em todos os seus passos. Seria essa a hipótese de Platão? As produções úteis são as brincadeiras, as canções e principalmente as histórias ou contos sempre ouvidos como lendas. Mas é preciso tentar inserir algum tipo e ordem nesse material, sem necessidade de provas. As demonstrações podem melhorar a ordem.
5- A premissa maior é esse passado irrevogável, de onde fomos expulsos sem possibilidade de retorno, perda que não se pode senão lamentar. E o autor enumera as delícias do paraíso perdido ou da infância que não volta mais. Fui alimentado em rios de leite, mas isso não poderia durar sempre. Fui expulso do paraíso porque desejei permanecer lá para sempre e eu lamento essa punição, que é a minha riqueza própria. Edificam-se, em torno desse episódio, riquíssimas e constantes ficções. Até as subtilezas teológicas vão se explicar pela condição de uma infância amada, deplorada ou recusada. Quem não desejaria ser imortal? E se ficar comprovado que viver é morrer continuamente para alguma coisa? Vamos separar essa quantidade de sentimentos e morrer logo no instante agradável da primeira investigação (?). Viegas, empacotador de sugestões. Próximo assunto: COCAGNE, Segundo Capítulo (págs. 29 a 32).
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
MEDITAÇÕES XIII
PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
Primeiro Capítulo
ANTIGAMENTE (pág.24 a 26)
1- História de Aladim apud Mil e Uma Noites. Destaques para o poder mágico, as delongas e a parlamentação.
2- A sombra de Sócrates me lembra que os homens não param de correr atrás dos deuses, como se estivessem procurando serviçais poderosos que teriam sumido de vez. E agora perdemos mais tempo e trabalho implorando o auxílio desses invisíveis desaparecidos do que se nos esforçássemos nós mesmos para realizar os nossos desejos. Esses poderes ocultos nada fazem. É isso que se deveria saber. Nunca se viu construir um palácio e nem uma terra sem juntas de bois. Requer-se tempo e muita mão de obra para se desviar o curso de um rio ou para drenar um terreno pantanoso.
3- O autor recorda-se também da história contada por Sócrates sobre uma idosa dama de leite. Ela descrevia para os latentes um lugar onde se encontrava o paraíso perdido. Era povoado de gigantes poderosos um pouco parecidos com os humanos. Eles tomavam conta de tudo. Alimentos, habitação, vestuário, transporte e saúde. Era o reino dos encantamentos e das fadas. Os homens eram orantes, pedintes e rezadores e entregues à preguiça. Não plantavam, não aravam, não teciam, não faziam barcos e nem domesticavam animais para puxar carroças.Eram exímios observadores da natureza e devotos fiéis desses gigantes, preocupando-se em fazer somente o que lhes pudesse agradar.Os imperativos eram agradar os gigantes para obter favores e evitar cometer atos que os aborrecessem com medo de culpa e de represálias.
4- Os gigantes, enormes e muito pesados e donos de força descomunal, sem querer, às vezes destruíam as plantações dos humanos e suas choças ou cavernas. Reflitam sobre o significado dos ventos, furacões, enchentes, incêndios, maremotos, terremotos e vulcões para esse homem do paraíso. Seriam obras dos gigantes enfurecidos? Por outro lado, atribuíam-se à proteção dos gigantes o êxito na pesca ou a sorte por atingir com a flecha o coração de uma lebre.
5- Uma ideia é uma ficção. Seria a idéia o único instrumento de percepção? Os fatos, uma vez acontecidos, encerram a sua missão. Seria oportuno estudar a pergunta de Descartes, indagando sobre o modo de termos sido crianças antes nos ter transformados em adultos. E mais: não há ficção sem o homem. As ideias são formadas em nós. Elas não nos são dadas. A nossa primeira experiência de vida é totalmente enganosa.
NB. Assunto próximo: IDEIA E FICCÃO (pág.26); a partir de amanhã ficarei uns cinco dias sem computador. Viegas.
Primeiro Capítulo
ANTIGAMENTE (pág.24 a 26)
1- História de Aladim apud Mil e Uma Noites. Destaques para o poder mágico, as delongas e a parlamentação.
2- A sombra de Sócrates me lembra que os homens não param de correr atrás dos deuses, como se estivessem procurando serviçais poderosos que teriam sumido de vez. E agora perdemos mais tempo e trabalho implorando o auxílio desses invisíveis desaparecidos do que se nos esforçássemos nós mesmos para realizar os nossos desejos. Esses poderes ocultos nada fazem. É isso que se deveria saber. Nunca se viu construir um palácio e nem uma terra sem juntas de bois. Requer-se tempo e muita mão de obra para se desviar o curso de um rio ou para drenar um terreno pantanoso.
3- O autor recorda-se também da história contada por Sócrates sobre uma idosa dama de leite. Ela descrevia para os latentes um lugar onde se encontrava o paraíso perdido. Era povoado de gigantes poderosos um pouco parecidos com os humanos. Eles tomavam conta de tudo. Alimentos, habitação, vestuário, transporte e saúde. Era o reino dos encantamentos e das fadas. Os homens eram orantes, pedintes e rezadores e entregues à preguiça. Não plantavam, não aravam, não teciam, não faziam barcos e nem domesticavam animais para puxar carroças.Eram exímios observadores da natureza e devotos fiéis desses gigantes, preocupando-se em fazer somente o que lhes pudesse agradar.Os imperativos eram agradar os gigantes para obter favores e evitar cometer atos que os aborrecessem com medo de culpa e de represálias.
4- Os gigantes, enormes e muito pesados e donos de força descomunal, sem querer, às vezes destruíam as plantações dos humanos e suas choças ou cavernas. Reflitam sobre o significado dos ventos, furacões, enchentes, incêndios, maremotos, terremotos e vulcões para esse homem do paraíso. Seriam obras dos gigantes enfurecidos? Por outro lado, atribuíam-se à proteção dos gigantes o êxito na pesca ou a sorte por atingir com a flecha o coração de uma lebre.
5- Uma ideia é uma ficção. Seria a idéia o único instrumento de percepção? Os fatos, uma vez acontecidos, encerram a sua missão. Seria oportuno estudar a pergunta de Descartes, indagando sobre o modo de termos sido crianças antes nos ter transformados em adultos. E mais: não há ficção sem o homem. As ideias são formadas em nós. Elas não nos são dadas. A nossa primeira experiência de vida é totalmente enganosa.
NB. Assunto próximo: IDEIA E FICCÃO (pág.26); a partir de amanhã ficarei uns cinco dias sem computador. Viegas.
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