Apesar de tudo é preciso rir porque o riso lava a alma. Para Nietzsche, o riso e a paródia são operadores filosóficos inigualaveis: eles permitem reverter perspectivas fossilizadas. Nietzsche, o impiedoso crítico das crenças canônicas, é também um mestre da ironia. Sua ambição consiste em tornar superfície o que é profundidade, restituir a graça ao peso da seriedade filosófica. O humorismo é uma forma do sentimento cômico derivado não do instinto, mas da inteligência. É a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros. Humorismo é nem mais nem menos que ironia, ou seja, burla que não fere porque nasce de um coração sem ódio e de uma mente onde cabe a poesia: o humorismo constitui uma atividade benévola, refinada e espiritual. Para ilustrar: Gargalhada - Cecília Meireles: Homem vulgar! / Homem de coração mesquinho! / Eu te quero ensinar a arte sublime de rir. / Dobra essa orelha grosseira, / e escuta o ritmo e o som / de minha gargalhada: / Ah! Ah! Ah! Ah! / Ah! Ah! Ah! Ah! Até mais.
SSilv

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