PRIMEIRO LIVRO-ALADIN
Segundo Capítulo
COCANHA (pág. 29 a 32)
1- Cocanha me lembra Pasárgada, Maracangalha ou o Jardim do Éden. Trata-se de uma terra fictícia, localizada na Europa, datando da Idade Média. A ideia era que nesse lugar vivia-se sem trabalho e a natureza fornecia tudo que fosse necessário à vida. Lá corriam rios de leite, adornados por montanhas de chocolate e outras maravilhas. Muitas vezes procuramos muito longe o que está na frente de nossos olhos. Cocanha não se encontra fora da vista. É a infância. Não é uma existência imaginária. A criança encontra pequenas contrariedades que ela vence com gestos sedutores. Assim os obstáculos desaparecem ou são contornados. Em família vive-se um jogo, que dispensa vencedor.
2- Com muita certeza, pode-se dizer que a necessidade de alimentar-se, de abrigar-se, de dormir nos leva a conhecer outra penúria, isto é, constatar que o mundo não nos promete nada. Acredita-se que a criança não conheça outro obstáculo além do sentimento, que é principalmente de respeito e de amor. Essa primeira experiência que nos forma, com o tempo, vai deixando de ser verdadeira, e talvez nunca o tenha sido, desparecendo na medida em que se aproxima dos rios de leite. Houve um tempo em que a metáfora não era metáfora. E houve também um tempo em que a contextura humana envolvia totalmente a criança e a revestia de um modelo pronto (?). Não há caminho de volta. Sonha-se às vezes com uma Cocanha em algum lugar. O fato é que esse paraíso foi perdido. Mas finge-se um lamento. Não saberemos nunca suficientemente o quanto de fingimento existe nas ficções. Sobre isso os jogos podem ajudar-nos. (págs 29 a 30).
NB. Assunto próximo: INOCÊNCIA E IGNORÂNCIA (PÁG. 30 e ss.) Viegas.
domingo, 15 de agosto de 2010
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