A palavra PROCUSTO etimologicamente significa “esticador”. Estou compartilhado com vocês, meus amigos do Blog, serenas meditações das madrugadas. Se não as quiserem, é só dizer que eu paro (do verbo parar e nunca de outro parecido...).
O homem nasce e, ao crescer, um dos obstáculos que enfrenta é atravessar a fase de perversidade polimorfa.O Nenem,com aqueles ares beócios e às vezes até de majestade,domina o ambiente,sobretudo quando sentado num carrinho e puxado por uma “auxiliar”, como se diz agora no dialeto politicamente correto. Depois dessa estação, envolto em birras histéricas, lamentos lancinantes, (infelizmente alguns continuam com os mesmos sintomas depois de velhos) já um pouco crescidinho, o Napoleão agora sem fraldas, depara-se com a misteriosa esfinge. E ela lhe diz, sem tergiversar, com cara de feitor de obras: escolha o prazer ou a realidade. Parece que o monstro só admite a disjuntiva. Falta-lhe qualquer escapatória de flexibilidade.
Na disjuntiva, os caminhos apresentam performances variadas e diferentes. Lá nas profundezas seriam parecidas? Pena que nem Sófocles, nem Shakespeare e nem Goethe andem por aqui, mesmo reencarnados, para deslindar a questão. Ou eles já a solucionaram e os leitores, que nem que eu, não entenderam? São duas estradas federais com paisagens, viadutos, túneis, obras de arte, e favelas nas beiradas, igrejinhas azuis com campanário e sino, mulheres sem lenço e documentos fazendo auto-stop, alheias ao destino.
Se o sujeito optar pelo princípio da realidade, é-lhe conferido o direito de entrar no santuário do mundo civilizado. Uma casta especial, parecida com religião, um tanto elitizada e talvez contando número restrito de fiéis. E então o indivíduo vira gente com diploma e tudo que tem direito. Em outras palavras, o pimpolho ou o miúdo torna-se indivíduo, sujeito, cidadão, proprietário (às vezes não exatamente nessa ordem) e então é reconhecido pelo grupo social a que pertence. O convívio vai ensinar-lhe a respeitar os semelhantes (ainda que nem todos sejam muito semelhantes),acatar as leis, ouvir curiosamente as opiniões, enfim, tocar a vida. Aprende-se ou não a arte de viver (andar na corda bamba?). É claro que no imenso palco desse teatro ao ar livre, aparece muito “cara” de máscaras, persona, (personalidades...),fariseus com decoração de sepulcro caiado.
Essa lengalenga é um aperitivo para apresentar o tal de PROCUSTO. Espero que ninguém o digira. (Eu continuarei amanhã de madrugada, pois outras apelações me chamam agora: fisioterapia, caminhada, faxina...).
10/04/10
sábado, 10 de abril de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário