domingo, 30 de maio de 2010

ALAIN, DEUSES (I)

MEDITAÇÕES DE ALAIN
Sobre deuses, mitos e fábulas

APRESENTAÇÃO

O francês Alain se chamava Émile Chartier. Nascido em Mortagne-Perche, 1868, morreu em 1951 na cidade de Vésinet(1). Professor e jornalista, ele era um filoso-fo. Pouco conhecido em seu tempo. Era citado com frequência nos escritos e semi-nários de Jacques Lacan. Pretendo compartilhar essas meditações que faço no sobre o livro de Alain (2) com meus amigos e conhecidos interessados em reflexões sobre temas polêmicos.
O autor

I – DEUSES
DEDICATÓRIA
Alain dedicou a seu livro a Mme Morre-Lambelin. Afirma que começou a perceber melhor o significado dos mitos e a ligação deles com a linguagem (1). Não agüentou. Resolveu escrever seu livro, ainda que suas idéias estivessem um tanto obscuras e confusas. Ligeiramente pretensioso, ele se propunha a abordar problemas religiosos que estariam naquele momento perdidos na história. Achava ele que a chave das religiões seria um vazio assombroso que se esconde atrás das metáforas.
Esse vazio provoca o medo, sobretudo nas crianças, que sempre temem o desconhecido. Esse invisível, se for possível figurá-lo fisicamente, é o Deus dos Deuses, em outras palavras, é nada (2). Então participo da certeza de que muitas das nossas primeiras impressões do tempo da infância não têm início em algo real ou físico. A natureza que está longe ou perto, ao alcance dos sentidos visível ou escondida, pequena ou grande, continua sempre a mesma. Será que os leitores concordam com essa sugestão? Em outras palavras, nossos pensamentos são moldados pela realidade da natureza que nós vemos e sentimos e na qual estamos mergulhados. Não faltam pessoas que se colocam acima da terra, do sistema solar e até do universo invisível. São os queridinhos dos deuses que eles esmo inventaram, na falta de outras soluções menos fantasiosas.
É assim que talvez se possa explicar a terceira dimensão da metáfora, que não se identifica com o carregador de malas no lobby e um hotel. Ri-se de uma imagem, mas não da palavra. A gente esquece que ela também é um tipo de imagem ou sinal. (à couteaux tirés...) O verdadeiro nome da palavra mergulhada em metá-foras é poesia. Meditar, refletir, pensar, entregar-se a devaneios é o apogeu do uso da razão ou da mente. Mas pode ser também um pesadelo. Que os deuses nos ensinem o uso do juízo e do raciocínio.

O autor.
(30/05/10

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